Capitalismo e

democracia na Europa

PARTE XVII

A crise pôs objetivamente na agenda política a retirada da Grécia da zona monetária do euro e da União Europeia, mas Syriza manifestou-se a favor de manter a Grécia dentro daquelas, embora a Comissão Europeia insistisse em que a recusa do “Memorando de Ajuste” era incompatível com a continuidade da Grécia na zona do euro e na União Europeia.

Um cálculo do Financial Times estimou em 80 bilhões de dólares para a França, e em 110 bilhões de dólares para a Alemanha, a perda financeira que a saída da Grécia provocaria nesses países.

Começou a circular a expressão Grexit, um acrônimo anglo-saxão (Greek Exit) inventado por analistas financeiros do Citigroup para significar uma saída imposta da Grécia da Zona Euro. Grexident (Grexit by accident), por sua vez, foi usado para se referir à hipótese de uma saída da Grécia provocada por uma série de eventos “acidentais”: o enfoque europeu se deslocou para uma operação velada de empurrão da Grécia para a saída, cuidando as formas para atribuir o desenlace à incompetência ou à obstinação ideológica das autoridades gregas. O ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble admitiu essa possibilidade, dizendo-se contrário a ela, um indicador claro de preparação da “opinião pública europeia” para essa eventualidade.

A partir de 2010, os planos de “resgate” resgataram os bancos, europeus e norte-americanos, expostos na Grécia. O preço da Grécia “europeia”, no entanto, ficou enorme para os gregos. Em meados de 2012, as indústrias farmacêuticas deixaram de entregar medicamentos aos hospitais públicos, após meses lhes fornecendo sem receber. Cirurgias foram adiadas em grande número, faltando itens básicos como seringas e gaze.

 O Tesouro grego anunciou que, sem recursos, poderia ser incapaz de pagar os salários dos servidores públicos. A troïka ofereceu destravar o equivalente a 9,6 bilhões de dólares para Grécia, mas os dirigentes gregos deveriam cortar mais US$ 14,5 bilhões do orçamento de 2012, ou seja cinco bilhões a mais do que o oferecido, num país com índices sociais insuportáveis e em recessão aguda.

A única maneira para Grécia não pagar esse preço e impor os custos da crise aos especuladores financeiros que lucraram com sua dívida pública seria sair da UE, mas Syriza definiu-se em favor de se manter dentro da UE e não pagar toda a dívida, mas só o que uma auditoria determinasse.[37] Ao mesmo tempo, Syriza propôs um “governo da esquerda”, uma proposta que foi rejeitada de modo sectário pela outra força expressiva da esquerda grega, o EKK.  Nas eleições europeias de junho de 2014, Syriza ganhou, novamente com 27% dos votos, mergulhando na marginalidade política o histórico PASOK, ainda que sua vitória não tivesse sido tão categórica como alguns previam.

O bloco democratizante do “Partido da Esquerda Europeia” (presente no Syriza) registrou também progressos na Espanha (Esquerda Unida, IU), onde avançaram também várias outras forças de filiação esquerdista. Não conseguiu crescer, no entanto, na Alemanha (Die Linke), ou na França (Frente de Esquerda, Front de Gauche) e desabou em Portugal (Bloco de Esquerda).

À Esquerda Unida espanhola afetou o grande resultado do Podemos, uma nova força política com raízes no movimento dos indignados que concentrou suas críticas no bipartidarismo. Podemos ganhou vários deputados e deslocou (com mais de 10% dos votos) a IU do terceiro lugar em Madri.

A composição (correntes ou tendências internas) de Syriza compreeende: Synaspismos, AKOA-Esquerda Comunista Ecológica e Renovadora, KOE-Organização Comunista da Grécia (Conferência dos Comunistas e Partidos Operários dos Bálcãs), DEA-Esquerda Internacionalista dos Trabalhadores, Kokkino, APO-Grupo Político Anticapitalista (Esquerda Anticapitalista Europeia, ex Secretariado Unificado da IV Internacional)), Rosa, KEDA-Movimento pela Unidade na Ação da Esquerda, Energoi Polites-Cidadãos Ativos, Rizospastes, Eco-socialistas Grécia, DIKKI-Movimento Democrático Social.

Fora de Syriza permaneceu o KKE (Partido Comunista) tradicional detentor de algo como 10% do eleitorado, que perdeu muito terreno, eleitoral inclusive, com a ascensão de Syriza; a pequena coalizão de esquerda Antarsya, com a presença de um antigo setor dissidente do KKE (o NAR), e o EEK (Partido Revolucionário dos Trabalhadores).[38] Sem contar com as diversas correntes autonomistas e anarquistas.

Em novembro de 2014, Alexis Tsipras, seu principal dirigente, voltou a garantir que Syriza, no governo, reclamaria a anulação de parte da dívida grega, tal como acontecera com a Alemanha em 1953.

O parlamento grego devia eleger um novo presidente da República em dezembro de 2014. Stavros Dimas, apoiado pela Nova Democracia, não conseguiu obter em três votações sucessivas o mínimo de 200 votos parlamentares estipulado pela lei; o presidente Karolos Papoulias viu-se obrigado a dissolver o parlamento e convocar eleições legislativas. Elas aconteceram em 25 de janeiro de 2015, com resultados que provocaram um terremoto político perfeitamente mensurável.

Syriza conseguiu 36,34% dos votos, progredindo dez pontos (ou quase 40% em relação à eleição precedente) e ficando quase nove pontos percentuais à frente da Nova Democracia (com 27,81%).

O partido obteve 149 das 300 cadeiras do parlamento, ficando a apenas duas cadeiras da maioria absoluta. Iniciadas conversações com outros partidos, o partido conservador de direita “Gregos Independentes” (antieuropeu) aceitou coligar-se no governo com Syriza.

O governo Tsipras tomou posse dois dias depois, com Yanis Varoufakis na pasta de Finanças, e a pasta de Defesa concedida para os Gregos Independentes.

Syriza decuplicou sua votação ao longo de uma década. O crescimento dos fascistas de Amanhecer Dourado nem se pode comparar com esse desempenho. A chegada do Syriza ao governo foi recebida em Bruxelas (sede da UE) com aplausos cínicos de compromisso.

O pagamento da última cota de 7,2 bilhões de euros do segundo resgate (1,9 bilhões de euros eram os lucros obtidos pelos credores com títulos da dívida grega desse resgate) havia já sido suspenso, antes das eleições, pelo governo Samaras. Imediatamente após as eleições, numa votação apertada, o Conselho de Governadores do BCE decidiu que não era possível prever a conclusão bem sucedida do programa em curso de assistência à Grécia, cortando o acesso dos bancos gregos ao crédito bancário europeu, deixando de aceitar como garantia dos empréstimos títulos da sua dívida pública, provocando fuga maciça de capitais, corrida aos bancos e o colapso financeiro súbito do país.

Mario Draghi, presidente do BCE, aumentou a pressão, apertando os termos de provisão de liquidez: os depositantes retiraram mais fundos; no final das negociações, os bancos gregos estavam perdendo um bilhão de euros de liquidez por dia.

O Estado grego precisava urgentemente de dinheiro para pagamento de dívidas e salários. Enquanto as negociações prosseguiam, os fundos se tornaram mais exigentes.

A UE, liderada pela Alemanha, esperou que a pressão sobre os bancos gregos atingisse seu auge. O país foi forçado a declarar que iria satisfazer todas as obrigações para com os seus credores.

A 4 de fevereiro, o BCE anunciou a suspensão da principal fonte de liquidez para os bancos gregos.

 

 CONTINUA NA PRÓXIMA E

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