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Gazeta Valeparaibana

"Analfabeto não é aquele que não aprendeu a ler. Analfabeto é aquele que aprendeu a

ler e não lê."

Mário Quintana

Onde estamos: São José dos Campos - SP - Brasil

Viabilidade

Já faz tempo que o MERCOSUL e a União Europeia tentam fazer um acordo comercial. É um acordo para abrir o MERCOSUL para os europeus e abrir a UE para os membros do MERCOSUL. Mas, a quem no Brasil, um acordo com a União Europeia vai realmente beneficiar?

O Mercado Europeu vai fazer a indústria brasileira ser mais competitiva? Uma vez que o Mercado Europeu é muito exigente? Ou a indústria brasileira vai ser massacrada pela indústria europeia? Não está sendo defendido aqui que o governo brasileiro proteja uma indústria que não é competitiva, mas se o mercado brasileiro vai passar a ser praticamente regulado pela União Europeia ou não e, se a desindustrialização nacional brasileira vai disparar desemprego massivo nesse setor da economia brasileira. O Mercado Europeu é um mercado de mais ou menos 500 milhões de pessoas com uma renda de mais de US$30 mil, muito rigoroso quanto aos requisitos de qualidade. É um mercado gigante! A indústria brasileira não tem as mínimas condições de competir num mercado como da Europa Unida.

Tudo indica que, quem vai ser o grande beneficiado por esse acordo entre mercados é o agronegócio brasileiro, que é o lobby por trás da Bancada Ruralista no Congresso Nacional em Brasília. O mesmo lobby que é um dos que não deixam o Brasil se desenvolver, desrespeita direitos dos povos indígenas, despreza o direito dos consumidores a terem sua saúde preservada com os agrotóxicos, destroem biomas, desmata florestas, faz o Brasil parecer estar na Idade Média. Sim, existem os pequenos e médios produtores rurais que respondem por grande parte dos alimentos dispostos no mercado interno, que põem comida na mesa dos brasileiros mas, tem também os grandes latifundiários que têm como alvo os mercados estrangeiros como exportar soja para a China, e beneficiam só a si mesmos, não se interessam em investir no mercado brasileiro para tentar ajudar a sociedade brasileira a melhorar, não contribuem para a prosperidade interna da nação, tratam o Brasil como sua propriedade particular e são esses latifundiários o lobby por trás da Bancada Ruralista no Congresso. Esse pessoal não ajuda na educação do povo, nas pesquisas científicas e tecnológicas, fazem do Brasil um país atrasado e uma gigante fazenda diante do mundo lá fora.

Não há problema nenhum em ser rico! Como disse o ex-presidente chinês Deng Xiaoping, enriquecer é glorioso. Mas ser egoísta é sim, problema! Egoísmo capitalizado de quem quer desmatar florestas e enfiar “de goela abaixo” soja e gado para aumentar o seu lucro. Nos anos 70, o governo brasileiro criou a EMBRAPA, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, para ajudar o agronegócio brasileiro. Só que o governo brasileiro devia ter feito uma Empresa Brasileira de Pesquisa Industrial e Tecnológica, para que o Brasil hoje tivesse uma indústria nacional tão forte quanto é o agronegócio brasileiro hoje em dia. Não é preferível o governo do Brasil investir no aprimoramento da indústria nacional brasileira, de capital nacional? Mesmo que seja capital privado, mas que seja brasileiro. Não devia ser prioridade no Brasil? Por exemplo, ter uma indústria genuinamente brasileira de automotores? De eletrônicos? 

Deixando de lado o espectro ideológico direita, esquerda e centro, qual é o caminho que os atuais países capitalistas de primeiro mundo percorreram? Como eles procederam para estar como estão hoje? Por exemplo, o que a Finlândia, a Suécia e a Noruega fizeram? O que a Suíça fez? O que a Coreia do Sul e Taiwan fizeram? O que o Canadá fez? O que essas culturas distintas têm em comum ou fizeram de semelhante para hoje serem países desenvolvidos? É só o Brasil, com o seu jeitão tropical, sua própria identidade sociocultural genuinamente brasileira, seguir os passos que as nações desenvolvidas seguiram. O Japão pós Segunda Guerra Mundial comprou produtos industrializados dos Estados Unidos e fez engenharia reversa desmontando peça por peça, parafuso por parafuso para passar a fabricar um modelo alternativo genuinamente nipônico. “Espiar o quintal” dos países ricos é mais rápido e barato do que tentar “reinventar a roda”.  É só o Brasil investir pesado em conhecimento científico e de aprimoramento tecnológico, buscar soberania tecnológica. Outros já fizeram antes e não perderam suas identidades étnicas. O Brasil também não vai perder.

Um acordo de livre-comércio com a União Europeia vai contribuir para a indústria brasileira se aprimorar e se tornar mais competitiva no mercado mundial? O profissional brasileiro vai passar a ser mais qualificado e mais competitivo? A tecnologia brasileira vai se tornar mais avançada? Quem realmente no Brasil vai ser beneficiado com um acordo comercial entre o MERCOSUL e a União Europeia? Qual é a viabilidade de um acordo assim?

João Paulo E. Barros

 

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