ARTE X ENTRETENIMENTO

 

Vamos dar uma pausa nas personalidades da música e falar um pouco de Cultura.

 

O que é Cultura? Há muita discussão sobre essa definição. Para alguns de nós a Cultura é sinônimo de diversão simplesmente.

Talvez para a gente poder discutir um pouco melhor o assunto seja imprescindível falarmos das diferenças entre Cultura (Arte) e Entretenimento (Diversão).

 

Há uma certa confusão compreensível e que está sendo colocada em pauta pelo desmonte que a Cultura vem sofrendo nos últimos anos.

 

A visão de que a Arte deve “divertir" é simplista. A Arte é uma expressão do homem e da humanidade em todo o seu ser, seja interno, seja externo. Ela deve provocar, denunciar até mesmo incomodar.

 

Vou reproduzir aqui um trecho de um artigo de Aimar Labaki, dramaturgo, diretor, novelista, tradutor e ensaísta,  em seu blog democratização cultural’:  http://www.blogacesso.com.br/?p=35

 

"A arte faz o homem lembrar-se de si e reinventar-se. O entretenimento permite ao homem esquecer sua própria existência e seus problemas ( isto é, suas circunstâncias). Arte faz pensar. Entretenimento faz parar de pensar. Ambas funções importantes e necessárias. Mas necessariamente antagônicas. Ainda que exista um enorme universo de obras que transitam simultaneamente pelas duas funções. O mundo não é branco e preto, mas cinza. Já vivi o suficiente para aprender isso. No entanto, quando falamos de democratização da cultura e, pior ainda, de financiamento público, misturamos sem pudor esses dois conceitos. A arte, por sua própria natureza, implica em risco, incômodo, erro. O Entretenimento, por seu lado, só é arriscado na medida em que tudo que é humano é passível de erro.”

 

Quando a Cultura e a Arte são confundidas com o simples entretenimento ela pode ser entendida como um artigo supérfluo, um luxo, um produto dispensável.

A arte de uma maneira geral discute, sensibiliza, desperta, abre a mente de quem a usufrui e isso muitas vezes pode incomodar.

 

O que está acontecendo hoje em dia no país é a discussão se a Cultura deve ou não ser financiada pelo estado, se deve ser levada em conta a seu “retorno" como investimento.

Ouvimos hoje afirmações do tipo. “Temos que popularizar a cultura”.

Essa afirmação é importantíssima e é óbvio que devemos, mas há interpretações diversas desta frase.

Popularizar significa, na minha modesta opinião, oferecer ao povo como um todo a cultura elaborada, a arte-provocação, e não exatamente financiar o entretenimento que eles já têm.

Financiar apenas entretenimento é a política de pão e circo. Ou seja alimentemos e entreguemos diversão barata que eles ficam quietinhos e felizes.

 

Há uma peça publicitária feita pela Casa de Cultura Benjamín Carrión (http://casadelacultura.gob.ec/) do Equador que gostaria de dividir com vcs.

 

Está em espanhol, porém o texto está escrito, pode facilitar o entendimento.

 

https://www.facebook.com/gustavopetri/videos/10208340004088669/

Aqui no Brasil já houve muito investimento em Cultura por parte do Estado, em todas as suas esferas.

 

Na Semana de Arte Moderna em São Paulo no ano de 1922 capitaneada por Mário de Andrade foram discutidas ações importantes. Na época a repercussão não foi tão grande, porém o tempo fez com que o Brasil despertasse. e manifestações como o Canto Orfeônico (http://www.samba-choro.com.br/debates/1033405862) nas décadas de 30 e 40 mostraram a importância da Cultura na formação do povo.

Nas décadas de 50 e 60 começaram a ser fortalecidos os grupos profissionais mantidos pelo poder público.

 

No Rio de Janeiro, capital nacional na primeira metade do séc XX sempre capitaneou o investimento do governo em Cultura.

 

Os chamados corpos estáveis de artistas começaram a se estabelecer. Em São Paulo Capital, o Theatro Municipal possui em seus quadros a Orquestra Sinfônica Municipal bem como o Coral Lírico, o Coral Paulistano, Quarteto de Cordas, Balé da Cidade entre outros grupos.

 

A História do Incentivo à Cultura no Brasil passa por bons e maus momentos e merece ser estudada e discutida.

O Ministério da Cultura que tem sua origem nos tempos de Getúlio Vargas quando ele alterou a pasta de Educação e Saúde para Educação e Cultura até a criação do Ministério na gestão Sarney.

 

A quantidade de recursos públicos carimbadas para a Cultura têm uma média de 1% do orçamento geral, isso nas três esferas, federal, estaduais e municipais. Há uma variação para mais e para menos.

 

A discussão que precisa ser ampla é a direção que esses recursos devem ser aplicados.

 

Na minha opinião devem ser aplicados em Cultura e não em Entretenimento.

 

Um evento de entretenimento que é chamado de “popular" que atrai milhares de pessoas simplesmente por diversão não deveriam na minha opinião ser abençoado com leis de incentivo fiscal.

 

Destinar recursos públicos para financiar um evento que por si só já atrairia recursos privados não é o caminho de “popularização” de cultura. Isso é apenas a política de pão e circo "Ofereça aquilo que o povo já conhece e gosta e eles ficam quietos! Para quê oferecer cultura que faz pensar, refletir. Isso é um perigo!"

 

Vamos aprofundar essa discussão em artigos próximos!

 

Saudações musicais

Maestro Luís Gustavo Petri

Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi. É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e musicais.

 

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