VELÓRIO ENGRAÇADO

Genha Auga – Jornalista MTB: 15.320

Animação total! Seguiram animadíssimos para o carnaval em Fama - Minas Gerais.

Embarcaram na quinta feira à noite para desde sexta aproveitar a festa, música e “samba no pé”.

Quando se trata de jovens para uma viagem dessa só se espera muita farra, alegria com muitas aventuras para se contar na volta. E eis que aqui, as coisas se inverteram um pouquinho.

Eram quatro amigos: Flávio, Geni, Lena, Sebastião, há tempos planejavam uma viagem juntos, mas nem sempre conseguiam, pois Flávio e Sebastião moravam no interior de Vitória e não tinham muito o costume de irem a Belo Horizonte. Geni e Lena moravam e trabalhavam juntas na capital de São Paulo, mas nem sempre conseguiam folga no trabalho. Desta vez deu certo, expectativa e alegria transbordavam pelo tanto que a viagem prometia...

Enfim! Gostaram muito do lugar, aproveitaram bastante, embora a calmaria do lugar e a tranquilidade das pessoas não foram coroadas de aventuras como gostariam, no entanto se divertirem.

Na terça feira de carnaval, seria o último dia de estadia, haviam combinado de levantarem bem cedo e fazer um passeio de escuna, pois para os meninos do interior seria uma experiência diferente, no entanto surgiu um imprevisto.

O telefone de Flávio tocou e sua tia com quem morava avisa que o marido de Dona Isaura, sua irmã, que morava em São Paulo falecera e não seria apropriado os sobrinhos não estarem presentes para a respeitosa cerimônia e ainda permanecessem na folia de carnaval enquanto a família estaria em luto.

Contrariados arrumaram as malas e ali deixaram o sonho do passeio final. De lá foram para a casa da tia que ainda se encontrava fora para as providências necessárias, deixaram as malas, vestiram-se e foram direto para o velório. Como nunca haviam ido a um cemitério tão grande, ficaram encantados e perplexos com os muros altos e os verdadeiros monumentos onde os mortos ficavam. Entraram e foram procurar a sala do velório e os familiares e amigos da tia que mal conheciam, mas estavam lá representando a presença dela que não chegaria a tempo pelas dificuldades que teria de enfrentar.

Logo acharam o local e ali se depararam com muita gente, em volta do defunto, ainda fazendo as arrumações com flores e homenagens, não vendo nenhuma pessoa conhecida, admiraram como todos estavam muito bem vestidos. Eis que chega uma senhora em prantos e amparada, esposa do falecido, quando descobriram que estavam no velório errado. Saíram em meio a risadas sem acreditar na trapalhada que fizeram até encontrarem o lugar certo.

Geni sabia que em velório de gente de melhores posses todos vão arrumadinhos, servem “comes e bebes” com todo aparato de festa, muitas conversas, muitas lágrimas (nem sempre sinceras), muitas piadinhas e risinhos o que causou estranheza para Flávio e Sebastião.

Terminada a cerimônia e seguindo, com o defunto por um longo caminho, até o túmulo ouviram rumores de que apesar do bairro chique, havia por lá um surto de escorpiões que a prefeitura estava preocupada em resolver. Lena ouvindo isso já ficou de “orelha em pé”, tinha pavor de escorpião, tanto que quando passava alguns dias na casa da tia no interior, mal dormia e nem andava descalça na terra com medo de ser picada pelo tenebroso inseto.

Flávio teve que se conter, para não rir, por tantos fatos inéditos mediante o triste ocorrido. Lembrava-se de terem entrado no lugar errado, das conversas tranquilas e piadinhas dos “convidados” como se estivessem num encontro informal de amigos, dos gritos de dor e sofrimento da viúva sabendo, pelas fofocas que ouvira lá no interior que ela torcia pela morte do marido que tanto odiava e por tantas traições. Melhor ainda, foi quando Lena apavorada gritou assustadíssima e subiu em cima de um túmulo, por conta de um escorpião, no chão, o que deixou todos em pânico até perceberem que se tratava apenas de um pequeno besouro. Aí, não deu pra conter a risada entre eles menos Geni. Por quê? Ah! Ela acostumada com esse ambiente, sabendo das formalidades, fez questão de ir bem arrumada e aproveitou para estrear seu sapato novo. Mas, estava em prantos, com uma cara de muito sofrimento o que os deixou surpresos e os demais “convidados” e a própria esposa do falecido, não entendia tanta emoção por alguém que, supostamente mal conhecia e, a fofoca começou...

Subindo pelo caminho de volta depois de enterrar o tio conquistador, juntaram-se os três em volta de Geni que parava, toda hora, para sentar de tanto que sofria e gemia até que eles resolveram perguntar: - Geni, porque tanto choro se você nem o conhecia direito e ele causava tanta dor à tia que agora estaria livre e aliviada? Ou o conhecia mais do que sabemos?

Ela parou, olhou bem séria, tirou o sapato, mostrou as bolhas no pé que era realmente o motivo do choro. Não aguentava mais o sofrimento de ter que andar tanto e tão machucada.

Porém, para não perder o porte, seguiu firme e forte e não iria “pagar

esse mico” no meio de tanta gente elegante...      

Depois de tudo passado, e já de volta, relembrando os acontecimentos engraçados, nem lembravam mais do pobre falecido, o que levou Sebastião a comentar: “só faltou mesmo, entrar no velório e apagar as velas”.

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