HOME Turismo Folguedos Sumulas & Leis Novos Autores Voluntários Fale Conosco COLUNISTAS CONTRIBUA

Gazeta Valeparaibana

"Analfabeto não é aquele que não aprendeu a ler. Analfabeto é aquele que aprendeu a

ler e não lê."

Mário Quintana

Onde estamos: São José dos Campos - SP - Brasil

Cadê Você?

Logo cedo tocaram a campainha, ela foi atender, abriu a porta e o rapaz da limpeza pediu pra tirar o capacho da porta porque era dia de lavar o corredor.
Ela tirou o capacho e logo atrás dela veio a curiosa da Emy querendo “xeretar” o que estava acontecendo. Era assim todos os dias, bisbilhotava as conversas, às vezes ficava sentada no chão geladinho do corredor para se refrescar do calor e mexer com os vizinhos do andar. Sabia que não deveria sair dali a não ser acompanhada para não se perder.
Emy sempre atraiu as visitas dos vizinhos com suas gracinhas e pelos lindos olhos verdes e jeitinho meigo de menina. Mas não gostava de sair de perto da segurança do seu lar e de quem lhe cuidava com muito amor, dedicação e mimos, por vezes, levava bronca pelas peraltices que resolvia aprontar, mas gostava muito de ter essa companheira querida que lhe cuidava, dava banho, comidinhas e fazia brincadeiras o tempo inteiro.
Mas uma coisa era de se estranhar, Emy não gostava de sair de casa, “morria de medo” de elevador, “curtia” brincar sozinha embora adorasse receber pessoas em sua casa e prestar atenção nas conversinhas e o que mais gostava de fazer era tirar uma longa soneca depois das refeições.
Quando era preparada pra sair de casa, já se assustava porque sempre achava que ia ao médico para tomar, vacina, injeção e essas coisas desagradáveis que parece que só adultos fazem normalmente e, aliás, no seu entender, isso era demais, um pesadelo, um trauma.
Nessa manhã, ficou na porta vendo a água pelo corredor e correndo atrás do rodo e do pano de chão como diversão.
Terminada a limpeza, o rapaz gritou da porta que tinha acabado e que ela poderia por o capacho de volta. Terminou os afazeres enquanto Emy pode aproveitar um pouco mais o frescor que ficou naquele chão limpinho e bem melhor para se brincar.
Passado um tempinho, foi fechar a porta e colocar Emy para dentro, mas, não a achou no corredor, entrou e chamou e nenhuma resposta. – “Será que essa danadinha está escondida?”. Chamou por diversas vezes e nada.
Resolveu procurar o rapaz da limpeza e indagar sobre o paradeiro dela, porém, o rapaz não sabia de nada. Subiu as escadas até o 16º andar gritando por Emy e depois desceu até o térreo imaginando que ela poderia ter subido ou descido os andares e ter se perdido.
Todos saíram de seus apartamentos visto o desespero dela chamando por Emy desesperadamente, tocou nos apartamentos mais conhecidos pensando em alguém tê-la visto em algum corredor chorando e a ter colocado para dentro até que alguém responsável aparecesse e nada, nada, nada, nenhum sinal dela...
Pensou então que alguém a raptara e procurou a zeladoria completamente descontrolada, no entanto, parece que ninguém se preocupava; apenas lhe falavam: - “calma, uma hora ela aparece”.
Voltou para o apartamento e o com o coração apertado chorou. Desnorteada e sem saber o que fazer, aproximou-se da janela e escutou um som que parecia um gemido, chegou a pensar que vinha da janela do vizinho e que a estavam sufocando para não gritar...
Ficou parada, com os ouvidos atentos e ouvira novamente aquele gemidinho e já mais calma para observar de onde vinha o som, percebeu que vinha de dentro do quarda-roupas.
A danadinha conseguiu abrir a porta e entrou lá dentro e a porta se fechou e travou, como lá dentro havia muitos cobertores e travesseiros, mal se ouvia a Emy, “do seu jeito”, pedindo por socorro.
Abriu a porta e a encontrou com os olhos arregalados e assustada.
Tudo que Emy conseguiu foi olhar para sua querida companheira e soltar um:
- Miaaau!


Genha Auga - MTB: 15.320

 

Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

PRIVACIDADE

TODOS OS DIRETITOS RESERVADOSGAZETAVALEPARAIBANA-2007