Grandes figuras da música ocidental IV - Brahms

 

Vocês conhecem o BBB? Aposto que o leitor respondeu que sim!

Porém, não estou falando do polêmico ‘reality show’ da televisão mas sim dos três Bs famosos que são considerados por muitos estudiosos os pilares da música de concerto. Bach, Beethoven e Brahms.

Esses três compositores cada um à sua época e à sua maneira contribuíram com sua criatividade, conhecimento e filosofia para que a arte da composição se estabelecesse com profundidade.

Bach, no final do período Barroco, início do séc. XVIII, Beethoven no período posterior, final do Classicismo e transição ao Romantismo, final do séc. XVIII e início do séc. XIX, e por fim nosso convidado de hoje Johannes Brahms, uma das expressões máximas do Romantismo Alemão.

Beethoven que tratamos no primeiro artigo desta série, foi o responsável pela transformação das idéias do Classicismo para a grande revolução do séc. XIX, o Romantismo

No período Clássico o discurso musical foi organizado em formas definidas. Existia a procura pela proporção em termos de melodia, de duração e de apresentação das ideias, do desenvolvimento dos temas através da composição. Foi um momento onde a razão começou a organizar todas as pesquisas de sons, melodias e harmonias do período Barroco.

No período Romântico procurava-se a ruptura destes modelos que o Classicismo acabou por estabelecer. Algo como a reação do coração à razão, descrevendo de maneira simplificada.

Liszt, um outro compositor contemporâneo de Brahms, costumava dizer que Beethoven estendera o Classicismo às últimas consequências e ainda colocou para os compositores que o seguiram diversas “portas" de caminhos novos a serem seguidos. Caberia aos novos compositores abrir cada uma delas e procurar o caminho que fosse o mais adequado a seu temperamento.

O nosso Brahms era filho de um músico militar, que tocava trompa, e que foi responsável por sua formação inicial. O talento do filho como pianista fez com que ele procurasse professores de outro nível e o menino prodígio voou. Logo Brahms já era considerado um grande solista. Mas a veia de criador era forte. Desde cedo ele compunha obras e isso às vezes incomodava os professores que gostariam que ele investisse na carreira de pianista. Mas ninguém segurou Johannes.

Com muita personalidade e extremante perfeccionista Brahms era bastante apegado ao passado. Beethoven era um modelo de perfeição para o compositor . O respeito era tanto que Brahms demorou mais de 10 anos entre os primeiros rascunhos de sua primeira sinfonia até sua estreia. Ele dizia que era quase impossível compor uma sinfonia depois daquelas do seu ídolo Beethoven.

Seu perfeccionismo muitas vezes atrasava a publicação de suas obras. Ele destruiu vários de seus manuscritos por não estar contente com a própria obra.

Influências

Além da música de Beethoven, Brahms conheceu personalidades importantes. Como pianista ainda em idade jovem teve contato com um violinista húngaro,  Ede Reményi, com quem teve contato com a fascinante música cigana do leste europeu. Essa música marcou profundamente o compositor inclusive estimulando a compor várias “Danças Húngaras”, que ficaram muito famosas.

https://youtu.be/KtfgnaZKUkA (Dança Húngara nº 1)

https://youtu.be/Nzo3atXtm54 (Dança Húngara nº 5)

Suas sinfonias foram intensamente inspiradas nas de Beethoven. Todas as quatro merecem ser ouvidas e degustadas, mas separei alguns trechos de algumas que acho especiais.

Sinfonia nº 1 https://youtu.be/BRdEgS_OHAk

Ouça o início da sinfonia imponente com a participação do tímpano que é um instrumento de percussão poderoso.

Ouça o final empolgante a partir do minuto 39:30! Impossível não se empolgar.

Sinfonia nº 2 https://youtu.be/XHmkl7GM_es

Ouça o incrível desenvolvimento da ideia principal do primeiro movimento, a partir do minuto 6:15

Sinfonia nº 3 https://youtu.be/mAjvP_b0l7E

O início é contagiante, mas é o terceiro movimento que começa em 23:17 é de chorar de lindo.

Sinfonia nº 4 https://youtu.be/kQmOQHdNvcQ

Essa para mim é linda do início ao fim. Se for para escolher: o início da própria obra,  o segundo movimento que alterna doçura com potência de uma maneira incrível, começa aos 13:40. O eletrizante terceiro movimento, que começa aos 25:24. E o quarto que é incrível que vale a pena ser ouvido inteiro, que começa aos 31:50.

Vida pessoal

Brahms sempre foi muito reservado na sua vida pessoal, levando a muita especulação. Apesar dessa sua reserva ele foi muito influente e teve reconhecimento durante sua vida. Fez uma carreira razoável como regente, criou certas polêmicas, as mais famosas com Liszt e Wagner, mas não se expunha demais. Teve amigos de vida toda, entre eles Joseph Joachim, um violinista exímio, também compositor para o qual Brahms dedicou várias de suas composições e que colaborou para a escrita de seu concerto de violino https://youtu.be/7C_U7eUbVd8

Joachim também apresentou Brahms a Schumann, 23 anos mais velho que ele, grande figura do Romantismo também. Brahms se tornou grande amigo do casal Robert e Clara. Schumann teve uma vida complicada acabou ficando louco e foi internado e a relação de Brahms com Clara se estreitou. Não se sabe se houve ou não um relacionamento entre eles mas ele a acompanhou até a morte dela. Essa parceria trouxe grandes frutos. Ela o incentivava a compor, era uma crítica carinhosa e apoiava suas experiências.

Brahms vale a pena ser ouvido com cuidado e muitas vezes. Raramente é uma daquelas paixões imediatas mas uma admiração que aumenta com o tempo. Ele consegue tocar na alma devagar, mas profundamente.

 

Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi. É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e musicais.

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