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Gazeta Valeparaibana

"Analfabeto não é aquele que não aprendeu a ler. Analfabeto é aquele que aprendeu a

ler e não lê."

Mário Quintana

Onde estamos: São José dos Campos - SP - Brasil

 TER FILHOS OU NÃO, EIS A QUESTÃO

Há poucos anos estavam casados. Apesar de muitas realizações, alegrias, superações e aprendizado, também houve desentendimentos e conflitos, o que é normal em qualquer relacionamento.

Sonho de qualquer casal é ter filhos, mas, esse desejo ficou adiado por conta de firmarem-se profissionalmente, aproveitarem mais a vida viajando e assim deixaram essa ideia para depois dessa fase e que no entender dela seria importante. Afinal, quando se tem um filho, abre-se mão de muitas coisas, principalmente a mãe que é a mais requisitada nos deveres e atenção para com o bebê.

Ele aceitou a espera mesmo a contragosto, pois acreditava que um filho não iria interferir nas realizações, sonhos e mesmo para aproveitar a vida e seus prazeres, mas entendeu.

Passados alguns anos, ela foi promovida no trabalho e decidiu aperfeiçoar-se e se inscreveu em um curso que levaria pelo menos dois anos para ser concluído, assim o plano de engravidar foi novamente adiado.

O marido já bem sucedido, não entendia bem a ideia de sua esposa colocar sempre algo na frente desse desejo que ele tinha de ser pai, visto que viviam bem, não lhes faltava nada e estavam na melhor fase e tinham plenas condições de criarem com conforto uma criança. Sua esposa empenhava-se muito no trabalho e o tempo entre os dois já perdera um pouco do romantismo e tornara-se um cotidiano de trabalho e casa. Construir uma vida ao lado de alguém é um grande desafio perante os obstáculos e desencontros e nesse quesito esbarravam na questão de filhos.

Além do trabalho saíam por vezes com amigos e o chateava que todos já eram pais e dividiam seus momentos com eles sem nenhum problema. Ele, por sua vez, desfrutava dos filhos dos amigos com certa amargura por não ter o seu. Antes de decidirem casar-se, pensava ele, deveriam ter deixado claro essa questão. Para ele, investir num sonho por anos significava jamais realizá-lo, renunciar em prol do relacionamento, mas a recíproca não estava sendo verdadeira, cada conversa sobre o assunto virava uma discussão. Isso se tornara um dilema para ele, que desejava um herdeiro.

Passaram-se vinte anos. No início havia uma grande paixão no ar, filhos parecem desnecessários, mas, depois de tanto tempo juntos e já mais velhos, a necessidade parecia aflorar cada vez mais para o marido.

No casamento é assim: um gosta do vermelho o outro do verde, um gosta de levantar cedo o outro dormir até mais tarde e isso tudo, questões que geram pequenas discussões fáceis de resolver. Mas nesse caso a questão é que ele, a partir de quando se tornou marido, ficou aberto à paternidade e esse tema ele iria abordaria com sua esposa, pois não aceitava protelar por mais tempo, preocupava-o a questão da idade, pois pretendia ser pai na maturidade e não na idade de ser avô.

Conversaram sobre o assunto, decidiram ter essa experiência e transformar essa nova etapa em um recomeço do relacionamento, e, para evitar mágoas ela convenceu-se de que deveria ser mãe, atendendo os anseios dele, e iniciaram os preparativos para a chegada da criança.

Foram nove meses conturbados por ser uma gravidez de risco e isso gerou em alguns conflitos; ele achando que esperaram demais e a idade já não a favorecia, e ela, o culpava por estar passando uma fase tão delicada por conta de um capricho do qual ele injustamente a culpava, pois privava-o de um sonho tão forte, mesmo não sendo o dela.

Em um casamento um não deve coagir o outro e a compreensão através de muita conversa é a base para uma decisão e, dar um tempo, como fizeram, pode não ter sido o melhor, pois assim como a passividade, o conflito não deve ser a opção e nem a solução.

Nessa crise o casal acabou apenas protelando e não buscaram os verdadeiros anseios das partes e deixaram o tempo passar, o relacionamento desgastar.

Como terminou a história?

Após o parto viu-se um anúncio na porta da casa: Vende-se um berço de bebê, nunca usado (o bebê nasceu morto)...

Passados uns meses viu-se outro anúncio: Vende-se uma cama de casal usada (separam-se)...

Genha Auga

Jornalista MTB:15.320

 

 

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