SOBRE O ENSINO DE AFRICANIDADES:

NINGUÉM CONSEGUE ENSINAR O QUE NÃO SABE

Dia 25 de maio é celebrado o Dia Internacional da África. Um dia de reflexão sobre a independência dos povos africanos. Neste mesmo dia, em 1963, foi criada a “Organização da Unidade Africana”, chamada hoje “União Africana”. Na época, essa organização tinha como objetivo tornar oficial a luta contra o colonialismo europeu e o apartheid. Em 1972 a Organização das Nações Unidas reconheceu tal movimento e criou, então, o “Dia da África”.

Que o continente africano tem uma rica diversidade natural e cultural, isso pouca gente duvida. O problema é que geralmente nos remetemos ao continente enquanto um exportador de escravos e enquanto um país miserável (sim, muitos imaginam que o continente africano é um país).

Historicamente o berço da humanidade se encontra neste continente. A matemática, a filosofia, os estudos sobre a natureza, a descoberta do fogo, a evolução da espécie humana, enfim, a nossa história começa no continente africano.

Infelizmente este continente foi palco de diversas formas de colonização e exploração moderna (considerando pós século XV). O continente serviu de exportação de escravos para o continente americano e foi saqueado por diferentes países europeus.

As migrações (ainda que forçadas) contribuíram para a transformação dos povos americanos. Hoje, nossa comida, vestimenta, religião e dialeto (dentre outras características) possuem forte influência africana.

Para que possamos conhecer melhor este continente, a Lei 9.394/1996, no seu artigo 26, §4º diz que “O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e europeia”. Adiante, no artigo 26-A se lê, que “Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena”. Segue §1º: “O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil”.

Pois bem. Diante dessa breve introdução e da legislação pertinente, questiona-se: “como é possível ensinar o que se estabelece nos artigos acima, sem ter conhecimento sobre seus conteúdos”?

Sabemos que a formação de professores de História, Geografia, Sociologia, Filosofia e de Pedagogos pouco abordam as questões indígenas e o ensino de africanidades. Quanto muito, estudam algumas passagens e algumas “pinceladas” sobre aspectos bem gerais. Quando este professor cai em sala de aula, acaba se apoiando muito mais na mídia do que em estudos acadêmicos.

Apoiando-se em matérias jornalísticas da grande mídia, os professores acabam reforçando os estereótipos sobre o continente africano (isso quando não o tratam como um único país). A escassez de material didático sobre as questões africanas e indígenas faz com que recorremos aos materiais de baixa qualidade que existem.

Recentemente realizei uma pesquisa sobre o material disponível para o ensino de africanidades e questões indígenas. Pouco material de qualidade foi encontrado. No Youtube, o que se encontra, geralmente, são documentários que reforçam o estereótipo de subdesenvolvimento e pobreza extrema ou alguns outros documentários que tratam de culturas muito específicas do continente (sobretudo de bosquímanos – que, por consequência reforçam os estereótipos).

Há diversos filmes espalhados pela internet que podem nos ajudar. Atualmente em vários países africanos há produtoras de filmes e diversos jovens que utilizam a plataforma do Youtube para apresentar seu país. Neste caso, precisamos conhecer este material e transformá-los em aula.

Atualmente é possível verificar algumas editoras que, muito timidamente, começam produzir livros de contação de histórias, introduzindo o interesse pelas africanidades aos pequenos. Porém, como dito, ainda é muito tímido. Para os jovens, então, é mais escasso ainda. Contudo, é possível afirmar que a situação na última década melhorou razoavelmente.

Pensando nessa problemática, e longe de querer sanar o problema, o Prof. Fábio Luiz (diretor do Canal Nossa História) e eu pensamos em uma sequência de vídeos explicando diferentes conteúdos do continente africano. Pensamos em um material que possa servir tanto aos professores que não dominam o conteúdo, quanto ao aluno que pretende conhecer mais sobre o tema. Dessa conversa, então, surgiu a lista a seguir:

Atualmente temos já disponibilizados os temas que estão em vermelho e ticados. Nosso planejamento é que até o final de 2017 todos os vídeos estarão contemplados. Com essa série completa, pretendemos ofertar gratuitamente aos colegas professores e alunos, uma grande diversidade de vídeos sobre a História e a Geografia do continente africano.

Pensando em um modelo de aula invertida ou de ensino híbrido, acreditamos que esses vídeos podem ajudar alunos e professores a compreenderem um pouco mais o continente africano. No futuro, quem sabem, podemos fazer o mesmo movimento com as questões indígenas.

Para isso, é importante que nossos colegas e nossos alunos acessem nossos materiais e critique nosso trabalho. Precisamos saber se estamos ajudando, ou não.

Também precisamos destacar que a Gazeta Valeparaibana também contribui com muitos artigos e informações sobre diferentes países africanos de influência portuguesa. Os chamados países lusófonos (Portugal, Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Timor Leste, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial). Todos esses materiais que contribuem com um melhor entendimento das nossas matrizes precisam ser divulgados.

Reafirmo a condição de que ninguém consegue ensinar o que não sabe. E, obviamente isso se aplica a mim, uma vez que preciso estudar muito, para poder ensinar meus alunos e contribuir com os colegas. Precisamos unir nossas forças e objetivos de forma com que possamos estudar mais e conhecer mais sobre a nossa própria história. Reafirmo, também, meu respeito aos povos africanos e indígenas que sustentaram as bases da nossa sociedade e que foram massacrados ao longo da história.

Neste momento, muito mais importante do que ensinar meu aluno a fazer “X” no lugar certo para passar em um vestibular, fica aqui o protesto para que, primeiro, meu aluno seja um cidadão.

Ivan Claudio Guedes

Geógrafo e Pedagogo

ivanclaudioguedes@gmail.com

 

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