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Gazeta Valeparaibana

"Analfabeto não é aquele que não aprendeu a ler. Analfabeto é aquele que aprendeu a

ler e não lê."

Mário Quintana

Onde estamos: São José dos Campos - SP - Brasil

 Responsabilidade


Já deve ser conhecido do público uma propaganda da Empiricus Research, uma empresa que atua no ramo de conteúdo financeiro e ideias de investimentos, ou seja, presta serviço de assessoria financeira, na qual uma jovem mulher afirma ter conseguido transformar mil quinhentos e vinte reais em um milhão e quarenta dois mil reais de patrimônio acumulado. Tal propaganda virou motivo de chacota nas redes sociais.
E qual é o problema nisso? O problema está nos excessos em propagandas como essa. O autor deste artigo aqui acredita que os ricos, principalmente aquelas famílias que são ricas a várias gerações, têm conhecimento sobre economia, sobre mercados e sobre finanças que a maioria das pessoas não tem. E para se ter esse tipo de dedução, não é necessário ser formado em qualquer faculdade. É obvio que algumas pessoas têm muito mais habilidades de lidar com mercados do que outras. Ninguém dorme pobre e acorda rico no dia seguinte. Enriquecimento precoce não existe. Ninguém fica rico através de milagres ou de encantamentos mágicos. Dinheiro não nasce em árvore e nem cai do céu. Para que todos os seres humanos da Terra vivam como magnatas, seriam necessários talvez dez planetas similares ao nosso ou uma redução populacional humana para menos de um bilhão de pessoas e, inteligências sintéticas fazerem o trabalho que o proletariado faz atualmente, para que os seres humanos vivam uma vida de luxo e de lazer. Na vida real, não temos nenhuma das duas opções. Portanto, não existe isso de “só não é rico quem não quer”. Muita gente é sim excluída da prosperidade pelo status quo. O básico para todo e qualquer ser humano é se tornar próspero, é ter uma boa educação, o que no Brasil pode até ser considerado privilégio, já que muitos não têm uma boa educação básica.
Para aqueles que querem realmente melhorar de vida, uma recomendação com “pés no chão”. Não é necessário estarem de acordo entre si sobre tudo o tempo todo. Independente de viés de esquerda, direita ou centro, no que se refere a interesses em comum, façam uma trégua e unam-se entre si pelas causas em comum. Por exemplo, um grupo de três pessoas, a primeira apoia o PT, a segunda apoia o PSDB e a terceira apoia o PSL, mas as três precisam de aumento salarial, então o sensato é as três pessoas fazerem uma trégua e se unirem para conseguir o aumento salarial que as três necessitam. Uma sociedade composta por maioria egocêntrica não consegue grandes mudanças para melhor. O primeiro grande salto para uma vida melhor é a união entre as pessoas.
Muitas pessoas têm crenças sobre vários assuntos, inclusive assuntos econômicos e financeiros. E por isso, tem gente que faz confusão e trata o seu próprio ponto de vista sobre economia, mercado e finanças como dogma, ou seja, como verdade absoluta e incontestável. Infelizmente alguns realmente acreditam em frases como “só não é rico quem não quer”, “se eu consegui ficar milionário então qualquer um consegue”, “os pobres são pobres por culpa somente deles mesmos”. Será que os moradores de rua vivem como vivem, por hobby? Será que os empregados que ganham salários baixos, fazem isso por puritanismo religioso? Por acharem que ser rico é pecado e imoral? Será que milhões de pessoas não consumiriam muito mais do que conseguem consumir atualmente, se pudessem? Será que a maioria das pessoas não prefeririam ter mais lazer do que têm atualmente? Será que a maioria da população, se tivesse opção e soubesse como proceder, não deixaria de trabalhar duro para se tornar rentista? O mundo não estaria transbordando de banqueiros ricos?
Não é ser contra serviços de assessoria financeira, e sim não aprovar marketing agressivo e nem propagandas sensacionalistas. Pode acontecer de uma determinada pessoa, mesmo ainda jovem, adotar uma estratégia e ficar rica num curto período. Pode! Mas não há garantia nenhuma que tal estratégia vá funcionar com todas as pessoas sem exceção. Propagandas devem ser feitas com senso de responsabilidade e “pés no chão”, sem estimular os consumidores a se aventurarem perigosamente e correrem riscos de terem resultados desastrosos. É regra no sistema capitalista visar lucro. Só que prudência é essencial e indispensável.


João Paulo E. Barros

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