TULIPAS & GRILOS

 

Vejo uma nuvem densa e branquinha! Parece uma bola de algodão arrepiada, iluminada pela luz sutil do sol que ameaça voltar para alegrar o verão.

 Peço ao vento que a sopre levemente e a leve até o “Quartel Pedagógico” de minha companheira para avisá-la de que temos uma missão e que venha me ajudar.

E assim se foi...

A nuvem pairou disfarçadamente sobre a “Rampa do Ditado”, transformou-se numa carruagem feita de sonhos e desejos, onde guardamos nossos doces segredos de aventuras e transmitiu minha mensagem:

- Encontre-me no intervalo das aulas, sei que é breve, mas a carruagem é mágica, poderemos passar minutos como se fossem horas cumprindo mais uma alegre e divertida missão...

Em pouco tempo a carruagem retornou, e sugou-me pela janela. Lilás, decorada com flores e luzes discretas, belos cavalos imponentes e fortes, forrada com seda prateada, almofadas macias de nuvens rosadas, perfume de verbena, veloz como um raio que dispara sobre a terra num dia chuvoso, porém quente.

Sentei-me ao seu lado de minha companheira, ela toda vestida de felicidade e arte e eu de transgressora do tempo e libertadora dos momentos sérios do dia de uma criança. Viva a alma pura e inocente! Viva a alma velha e sonhadora!

Par perfeito, seguimos adiante com a ordem do dia: visitar as hospedeiras dos grilos encrenqueiros.

Voando rapidamente pelo céu azul em solavancos macios, passando por caroços assimétricos de nuvens, pairamos sobre tulipas enormes e falantes das mais variadas cores. Corri por entre as amarelas para um selfie combinando com o dourado do sol, e minha parceira preferiu as roxas, cujo destaque era devido ao seu aroma e sua cor. Andamos entre elas cumprimentando-as felizes por aquele lugar encantado e fomos encontrar as “Tulipas Charmosas”, indignadas que estavam com as encrencas que ocorriam por lá, esperançosas de socorro da dupla de humanas, mas que tinham autorização da natureza para intervir nessas pequenas causas, de forma a evitar qualquer desequilíbrio que pudesse desviar a atenção do curso natural de um belo dia.

Eis o problema: grilos gostam de pular por entre flores deliciando-se com seus cheiros, mas ultimamente, descobriram algo particular às tulipas: além de belas e aromáticas, possuem um caule forte que dá a eles impulso para saltos muito maiores do que os normais, tornando bem mais divertido exercitar suas pernas pulantes. No entanto, as tulipas se sentem abusadas por esse atletismo, e muitas vezes as pobrezinhas ficam vergadas pela dor, sem falar que os grilos às vezes esbarram nas coitadinhas, deixando-as despetaladas. Insetos sem compostura e gritantes, deixam-nas suscetíveis e caídas, pois não se detêm, invadidos que são pela euforia de tantas proezas que ali realizam.

A líder, “Tuliposa”, reclamante em nome da classe, não obteve sucesso em suas falas e já pronta para estabelecer um plano de ataque contra os “saltitantes”, resolveu apelar à dupla de amigas a fim de polidamente salvar a classe das flores, visto não quererem se expor a comentários deselegantes que lhes denegririam o status de charme.

Juntas, ouvimos a reclamação e nos pusemos a observar a ação dos réus em questão. O primeiro grilo grita em brados retumbantes, como se fosse proclamar a liberdade “grilante” e salta avidamente em cima do talo de uma flor, que se enverga como um escravo frente a seu senhor, alvoroçando as pétalas. Outro pulo no voo frenético até a próxima Tulipa que, desesperada, tenta desviar-se para o lado, mas o salto quase mortal a atinge fazendo-a tremer como vareta de bambu ao vento. Essa brincadeira “grilante” chega a atrair uma quantidade muito grande desses impetuosos da natureza, que não se dão conta da fragilidade das plantinhas, embora o caule lhes pareça ser uma fortaleza.   

Acontece que a alegria e a gritaria são tantas que ninguém ouve os lamentos das flores nem o grito reclamante da líder aclamada para dar uma solução.

Bem, não poderíamos agir a não ser com cautela para não prejudicar nenhum dos lados, mas também sabíamos que aqueles ruidosos grilos falantes, gritantes e encrenqueiros, também não nos ouviriam. Todavia, tínhamos uma arma nas “mangas”...

Lembramo-nos de que num passeio a Florianópolis, conhecemos um caçador de grilos que os pegava apenas para maltratar os pobrezinhos e prendê-los numa caixa, com o intuito de divertir-se e fazer corridas de saltos com eles, até a exaustão que muitas vezes os aleijava ou os fazia sucumbir. Descobrimos então, um apito do caçador, cuja sonoridade só era ouvida por grilos, que assim eram atraídos como caça. Roubámos o apito, conseguimos libertar os reféns dessa crueldade, e nunca mais eles foram feitos prisioneiros.

Eis que, estando o apito bem guardado numa caixa secreta em nosso poder, voltamos rapidamente para casa, retornando no tempo mágico de nossa carruagem, sopramos fortemente o apito, atraindo fervorosamente todos os grilos, que se colocaram a postos em frente às charmosíssimas vítimas florais. Foi quando pudemos discutir a situação, sensibilizando a todos, fazendo aflorar lágrimas, mostrando as dores sentidas pelas delicadas criaturas florais. Os algozes aquietados reconheceram o estrago, desculparam-se pelo ocorrido, mostrando que não havia má intenção, e foram buscar divertimentos bem longe dali.

Felizes, as flores nos agradeceram com delicadeza orquestrada pela liderança da Tuliposa. No ritmo do vento fresco e leve, balançaram-se num vai e vem, exalando seu perfume, envolvendo-nos num arco-íris de “muito obrigada”.

Parti para minha casa.

E minha amiga foi para o “quartel” terminar sua tarefa menos divertida: copiar a lição de casa...

Genha Auga

jornalista MTB:15.320

 

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