CAOS E DESORDEM

Para cada lado que olhamos e por todos os ângulos percebemos que estamos sofrendo as consequências do descaso das autoridades e dos órgãos públicos que dirigem essa nação, do capitalismo na educação, da incompetência judiciária perante os crimes, dessa alienação por efeito das drogas que impera entre os jovens, o desenfreado ritmo em que cresce a corrupção, a falta de idoneidade em quase todos os segmentos sociais, o desinteresse dos intelectuais que há tempos não contribuem para a história, a mídia embriagada pela audiência e um povo iludido por entretenimentos além do futebol e sofrendo crueldades, mazelas e, as consequências da impunidade e da fome.

O desamor entre as pessoas, a falta de perspectiva, o falso apoio de quem finge proteger, as igrejas com discursos dirigidos apenas em prol de interesses financeiros e longe de serem solidárias. O consumo desenfreado, a idolatria pelo corpo, o descuido da alma e isso tudo nos levando para o caminho da frustração na vida profissional, pessoal e social.

O que vemos são jovens unidos pela mesma música e dança sórdida, pela mesma ganância, pelo mesmo trivial do consumo e desejo de TER cada vez mais e o falso moralismo instalado entre pais e filhos.

Não se trabalha para comer, crescer, construir e sim, para pagar academias, ostentação e conquistar uma posição social a qualquer custo, por reconhecimento banal e, o mais triste, ninguém vê e nem cobra para onde vão todos os impostos que pagamos e que não nos são revertidos em benefícios.

O homem tem a pretensão de querer ser imortal, mas, esquece que, morrer é inevitável e para ser eterno é preciso deixar conhecimentos, exemplos, obras feitas, e o melhor de si que irá ficar, se não para a humanidade, pelo menos para sua família.

Antes de morrer, para onde irá nosso olhar para ver o que de nós ficou? Pra que lado da vida e do país, pelos caminhos que percorremos, haverá nossa verdadeira contribuição como seres humanos?  Deixaremos marcas e registro de bem feitores?

Não teremos sido nada se morrermos e formos esquecidos, substituídos tão rápido como trocávamos de carro, de investimentos, de parceiros, de sapatos, de hábitos em prol da performance.

Para qualquer lado que olharmos, veremos que são sempre as mesmas coisas, os mesmos discursos, a mesma multidão com a mesma solidão e um vazio rumo ao caos.

Não podemos deixar que nossas vidas fiquem abaixo da dignidade e que nossa luta continue a ser partilhada desigualmente, pois nossa índole, não é sorte e sim muito trabalho, resignação, estudos, força e dedicação.

Portanto, nossa política governamental, não pode continuar a se valer de suas “normas injustas” interferindo no curso de nossas vidas induzindo a vontade coletiva tirando nossos direitos de escolher e decidir. Nessa situação de tantas desigualdades os que têm menos perdem a capacidade de sentirem-se livres para desenvolverem-se e garantir seus direitos como cidadãos que devem ser inegociáveis.

Sem atitudes, o que resta é esperar que com o “andar da carruagem, as abóboras se acomodem”. Assim como nas guerras, depois que a desordem e o caos se instalam, tudo acaba e todos se tornam iguais.

Todos ficarão sem NADA, todos virarão NADA para então recomeçar...

Talvez assim, o amor volte a habitar a gruta do coração do homem para que revise seu contexto e aprenda a sorrir gratuitamente encarecendo a raiva para mover-se num sentido melhor e certo, com coragem, humildade e alvorecer com dignidade.

A vida é uma mistura do amargo e do doce que, a cada ocasião, traz um aprendizado, mas, para isso, é preciso estar munido de energia, amor, fé e sem arrebatar do outro o que não lhe pertence.

Genha Auga - Jornalista - MTB: 15320

 

 

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