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Comunidade dos Países da

Língua Portuguesa

CPLP

PROCESSO HISTÓRICO

 

A ideia de criação de uma comunidade de países e povos que partilham a Língua Portuguesa – nações irmanadas por uma herança histórica,

pelo idioma comum e por uma visão compartilhada do desenvolvimento e da democracia – foi sonhada por muitos ao longo dos tempos. Em 

1983, no decurso de uma visita oficial a Cabo Verde, o então ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Jaime Gama, referiu que: "O processo mais adequado para tornar consistente e descentralizar o diálogo tricontinental dos sete países de língua portuguesa espalhados por África, Europa e América seria realizar cimeiras rotativas bienais de Chefes de Estado ou Governo, promover encontros anuais de Ministros de Negócios Estrangeiros, efectivar consultas políticas frequentes entre directores políticos e encontros regulares de representantes na ONU ou

em outras organizações internacionais, bem como avançar com a constituição de um grupo de língua portuguesa no seio da União Interparlamentar".

 

O processo ganhou impulso decisivo na década de 90, merecendo destaque o empenho do então Embaixador do Brasil em Lisboa, José

Aparecido de Oliveira. O primeiro passo concreto no processo de criação da CPLP foi dado em São Luís do Maranhão, em Novembro de 1989,

por ocasião da realização do primeiro encontro dos Chefes de Estado e de Governo dos países de Língua Portuguesa - Angola,Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, a convite do Presidente brasileiro, José Sarney. Na reunião, decidiu-se

criar oInstituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que se ocupa da promoção e difusão do idioma comum da Comunidade.

 

Em Fevereiro de 1994, os sete ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores, reunidos pela segunda vez, em Brasília,

decidiram recomendar aos seus Governos a realização de uma Cimeira de Chefes de Estado e de Governo com vista à adopção do acto constitutivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Os ministros acordaram, ainda, no quadro da preparação da Cimeira, a constituição de um Grupo de Concertação Permanente, sedeado em Lisboa e integrado por um alto representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal (o Director-Geral de Política Externa) e pelos Embaixadores acreditados em Lisboa (única capital onde existem Embaixadas de todos os países da CPLP).

 

Relativamente às várias vertentes do processo de institucionalização da CPLP, o Grupo analisou em substância a cooperação existente entre

os Sete e a concertação a estabelecer. Foram abordadas, de forma aprofundada, áreas como a concertação político-diplomática, a cooperação económica e empresarial, a cooperação com organismos não governamentais e a entrada em funcionamento do IILP. O resultado desse

trabalho encontra-se consolidado em dois documentos, adoptados posteriormente na Cimeira Constitutiva:

 

(a) Declaração Constitutiva

(b) 
Estatutos da Comunidade (revisão de 2007)


Os sete Ministros voltaram a reunir-se em Junho de 1995, em Lisboa, tendo reafirmado a importância para os seus países da constituição da

CPLP e reiterado os compromissos assumidos na reunião de Brasília. Nessa ocasião, validaram o trabalho realizado pelo Grupo de

Concertação Permanente (que passou a denominar-se Comité de Concertação Permanente) e concordaram em recomendar a marcação da Cimeira para o final do primeiro semestre de 1996, em Lisboa, fazendo-a preceder de uma reunião ministerial em Abril do mesmo ano, em

Maputo. A 17 de Julho de 1996, em Lisboa, realizou-se a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo que marcou a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), entidade reunindo Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e

Príncipe. Seis anos mais tarde, em 20 de Maio de 2002, com a conquista de sua independência, Timor-Leste tornou-se o oitavo país membro

da Comunidade. Depois de um minucioso processo de adesão,  em 2014, a Guiné Equatorial tornou-se o nono membro de pleno direito.

A reunião deste grupo de Estados – situados em 4 Continentes e englobando mais de 230 milhões de pessoas – consolidou uma realidade já existente, resultante da tradicional cooperação Portugal-Brasil e dos novos laços de fraternidade e cooperação que, a partir de meados da

década de 1970, se foram criando entre estes dois países e as novas nações de língua oficial portuguesa. A institucionalização da CPLP

traduziu, assim, um propósito comum: projectar e consolidar, no plano externo, os especiais laços de amizade entre os países de língua portuguesa, dando a essas nações maior capacidade para defender seus valores e interesses, calcados sobretudo na defesa da democracia,

na promoção do desenvolvimento e na criação de um ambiente internacional mais equilibrado e pacífico.

 

A CPLP assume-se como um novo projecto político cujo fundamento é a Língua Portuguesa, vínculo histórico e património comum dos Nove

– que constituem um espaço geograficamente descontínuo, mas identificado pelo idioma comum. Esse factor de unidade tem fundamentado,

no plano mundial, uma actuação conjunta cada vez mais significativa e influente. A CPLP tem como objectivos gerais a concertação política e a cooperação nos domínios social, cultural e económico. Para a prossecução desses objectivos a Comunidade tem promovido a coordenação sistemática das actividades das instituições públicas e entidades privadas empenhadas no incremento da cooperação entre os seus Estados-membros.

 

As acções desenvolvidas pela CPLP têm objectivos precisos e traduzem-se em directivas concretas, voltadas para sectores prioritários, como

a Saúde e a Educação, a Segurança Alimentar e o Ambiente, entre outros domínios. Para tal, procura-se mobilizar interna e externamente

esforços e recursos, criando novos mecanismos e dinamizando os já existentes.

 

Neste esforço, são utilizados não apenas recursos cedidos pelos governos dos países membros, mas também, de forma crescente, os meios disponibilizados através de parcerias com outros organismos internacionais, organizações não-governamentais, empresas e entidades privadas, interessadas no apoio ao desenvolvimento social e económico dos países de língua portuguesa.


No tocante à concertação político-diplomática, tem-se dado expressão crescente aos interesses e necessidades comuns em organizações multilaterais, como, por exemplo, a ONU, a FAO e a OMS.


Nos fora regionais e nas negociações internacionais de carácter político e económico, a CPLP tem-se assumido como um factor capaz de fortalecer o potencial de negociação de cada um de seus Estados-membros.


No campo económico, procura-se aproveitar os instrumentos de cooperação internacional de um modo mais consistente , através de uma concertação regular entre os Nove e da articulação com outros atores. Outro ponto importante em que se tem vindo a desenvolver esforços significativos é o da cooperação empresarial.

 

Para a valorização e difusão do idioma comum, realça-se o papel crescente que é exercido pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa

(IILP), sedeado em Cabo Verde, assim como pelo Secretariado Executivo da CPLP, que desenvolveu uma rede de parcerias voltadas para o lançamento de novas iniciativas nas áreas da promoção e difusão da língua portuguesa.

 

Legenda: Os Chefes de Estado e de Governo dos Estados-membros da Comunidade dos Paises de Língua Portuguesa, (E-D) os Presidentes

de Angola, José Eduardo dos Santos; do Brasil, Fernando Henrique Cardoso; de Cabo Verde, Mascarenhas Monteiro; de Portugal, Jorge

Sampaio; o primeiro-ministro português, António Guterres; o Presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira; de Moçambique, Joaquim Chissano, o Primeiro-ministro de São Tome e Príncipe, Armindo Vaz de Almeida, e ainda o Secretario Executivo da CPLP, Marcolino Moco, durante a Cimeira Constitutiva da CPLP, que decorreu a 17 de Julho de 1996 no Centro Cultural de Belém.

 

Fonte: cplp.org

 

DOMINGOS VANDELLI, JOSÉ BONIFÁCIO E A

INFLUÊNCIA DA MAÇONARIA CARBONÁRIA

 

Durante o século XIX são várias as referências às ações da Maçonaria no Brasil. Apesar disso, com exceção de alguns estudos recentes a esse respeito, a história da Maçonaria ainda é muito pouco conhecida, não tendo chegado a se constituir em tema corrente de pesquisa acadêmica. O desinteresse em torno do pertencimento maçônico é, de certa forma, interessante pois,

por um lado, há uma visibilidade dos maçons nas obras produzidas ao longo do século XIX; por outro, aqueles mesmos personagens históricos foram destituídos de sua identidade maçônica nos estudos de caráter acadêmico das últimas décadas.

Não obstante algumas construções teóricas apontarem para o pertencimento maçônico de tal ou qual personagem, “o seu r

egistro se assemelha a um daqueles adjetivos inseridos casualmente em uma frase e cuja retirada não faria a menor falta na

medida em que pouco contribui para estabelecer o nexo explicativo de uma questão” (MONTEIRO, F., NEVES DA SILVA, C.,

A Cruz e o Compasso: uma intrincada relação histórica, 2011, pp. 19-31). 

 

Elemento pouco divulgado é o de estas sociedades, por vezes secretas, mas mais propriamente iniciáticas, serem na origem organizações académicas e mesmo estudantis. Podem elas evoluir a ponto de congregarem membros de todas as idades e estratos sociais, como sucedeu com a Carbonária Portuguesa, nas imediações da implantação da República, em que se diz ter contado com

mais de quarenta mil membros, porém o seu surgimento é em regra universitário e coimbrão. 

Maria Estela Guedes afirma que entre as várias ordens maçónicas, existe a Maçonaria Florestal ou Maçonaria da Madeira. Integrantes dela, funcionaram em Portugal instituições diversas, mencionadas pelos historiadores desde a segunda metade do século XVIII, pelo menos. A Sociedade dos Jardineiros, por exemplo, atuava em Coimbra ao tempo em que Almeida Garrett era estudante, uma vez

que foi seu fundador ou restaurador.  Dentre os personagens famosos da Maçonaria Florestal, encontram-se Domingos Vandelli e

José Bonifácio de Andrada e Silva, uma das figura centrais na “Independência” do Brasil. 

Embora consabido que o Império e a República do Brasil são construções maçônicas, até o presente a historiografia nacional lida

com o assunto de modo tangente.  Portanto, o próprio “desinteresse” é indicativo e aponta para um cenário de fundo complexo e escamoteado.  Vamos recordar alguns fatos para perceber que essa imensa lacuna na historiografia brasileira não é mero

“desinteresse por falta de documento primário: 

1) Bonifácio era Desembargador da Relação e Casa do Pôrto, cujo cargo ocupou até 1820, ano que veio para o Brasil depois de

uma longa "insistência" junto à Corte.  Nesta qualidade é pouco provável que não tenha conhecido os chefes da maçonaria vermelha

do Pôrto que fizeram instalar a Revolução Liberal em 24/08/1821: o desembargador Manoel Fernandes Tomás, o advogado José

Ferreira Borges, o juíz de órgãos José da Silva Carvalho, etc.  Todos dominaram as Côrtes de Lisboa e apresentaram no dia

30/10/1821 um projeto de resolução mandando suspender os pagamentos a Bonifácio a menos que ele regressasse a Portugal. 

Desta maneira pode-se considerar no mínimo factível que tanto a "cidade" do Pôrto quanto a maçonaria vermelha em Portugal

conheciam plena e intimamente as ideias políticas de JB.  E é quase certo admitir que no ano 1820 ao partir para o Brasil JB já dava como certa a irrupção da Revolução Liberal.  Igualmente, parece não haver dúvidas sobre as divergências de longa data entre JB

e os chefes da maçonaria vermelha.  O posterior deslocamento dele pelo Brasil e os "contatos" certeiros com os diferentes grupos maçônicos nos ajustes da Independência são provas incontestes neste sentido, ainda mais quando se considera que se tratava de "sociedades secretas", ou seja, o que discute dentro das lojas é ordem para ser cumprida fora dela. Ou seja, é pouco provável que

JB não seja maçon em Portugal e que sua "vinda" para o Brasil não seja uma das partes do plano da mesma;

 

2) A maçonaria esteve diretamente envolvida nas Inconfidências Mineira (1789) e Baiana (1798), na Revolução Pernambucana (1817),

na Revolução Liberal do Porto (1820), Confederação do Equador (1824), Guerra dos Farrapos (1835), Sabinada (1837), Revolução Pernambucana (1861), etc, até o golpe da República.  Vê-se ai os principais nomes da política nacional envolvidos.  Os exemplos

podem continuar. Além da maçonaria quais outros agentes históricos de importância revolucionária estão atuando em GRUPO de

modo uníssono CONTRA a Coroa Portuguesa nesse período? Será preciso ter apontado esses OUTROS grupos para legitimar o discurso que a maçonaria se auto-promove sem legitimidade.

 

3) Os irmãos Andradas não tinham uma sociedade ou seja, não eram uma maçonaria em si mesmos, antes, pertenciam a uma e essa filiação vem da Europa para o Brasil (já em Coimbra) e, dado que somente em 30/11/1818 D. João VI expede Alvará proibindo a existência de sociedades secretas é de se ressaltar que até este presente momento, as "filiações" eram subterrâneas. Antes e depois

do FICO as lojas maçônicas organizam-se de modos distintos em 2 linhas de atuação chamada "vermelha" e "azul" (denominação didática da historiografia moderna.  No entanto, cabe lembrar que essas "divisões" internamente inexistem).  VERMELHA- Comércio

e Artes (já existia no tempo de D. João VI), no início de 1822 subdivide-se em União e Tranquilidade (termos que serão usados em documentos oficiais de D. Pedro no dia do FICO) e Esperança de Niterói.  AZUL- da Comércio e Artes sai uma subdivisão que

formará a Distintiva e o Clube da Resistência, futura Nove de Janeiro.  Vermelha terá como expoente J.G. Ledo e a Azul José Bonifácio ou Azevedo Coutinho. 

 

Os principais nomes dos maçons vermelhos e azuis foram os homens que trabalharam incansavelmente pelo "FICO".  Ambos os

maçons faziam parte da mesma "loja" e estavam reunidos e unidos na luta contra o absolutismo e a igreja.  Vitoriosa a Revolução

Liberal eles se "separariam" em "lojas" bem caracterizadas como "vermelha" e "azul".  No início de 1822, já se constatam movimentos

de reorganização das lojas.  Em Maio de 1822 no Rio de Janeiro ocorre a criação do órgão central diretor de todas as "lojas"

maçônicas vermelhas: o Grande Oriente do Brasil.  Antes dele, todas  as "lojas" eram dependentes do Oriente Lusitano com sede em Lisboa.  O mesmo movimento acontece com as "lojas" maçônicas azuis: o Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz.  Assim, o projeto de reorganização das lojas" não emana do Brasil.  Inclusivamente, de modo ingênuo tem-se atribuído a Bonifácio a autoria e criação do Apostolado.  Tese bizarra que vai de na contramão da ligação do Apostolado com o projeto da Santa Aliança no Brasil, conforme defende Cipriano Barata.  No mesmo sentido defende frei Joaquim do Amor Divino Caneca.  As Atas das

Assembléias do Apostolado que constam no IHGB dão subsídio que refutam a tese de centralidade das pessoa de JB como "autor"

do Apostolado.  Depreende-se que os persongens Ledo X JB quanto a mim são peças importantes dentro de uma engrenagem muito maior.  Por conseguinte reduzir a mera disputa entre homens é escamotear um intrincado processo que envolve Portugal desde

séculos antes. 

 

Para além disso, há outro problema: o ineditismo do nome composto atribuído por alguns historiadores ao Apostolado da "Nobre

Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz", o qual sai completamente do padrão titular das lojas penetrando na seara que leva à

requisição pela maçonaria como herdeira e sucessora legítima da  Ordem de Cristo isso sem considerar a “filiação” carbonária. 

 

4) Para finalizar, a questão da filiação Carbonária de Bonifácio e Vandelli (ambos constam como maçons no Dicionário de Maçonaria Portuguesa, de Oliveira Marques: a)) Domingos Vandelli, foi chamado pelo Marquês de Pombal a lecionar História Natural e Química

na Universidade de Coimbra, reformada sob o seu governo. Aparecem pela primeira vez em Portugal  os estudos e laboratórios de Química e Física, dadas por Vandelli, bem como, têm lugar escandalosos ágapes, que teriam mais a ver com desafios carbonários do que com o programa da cadeira conforme cita ALMEIDA, M. L. (1937) - Documentos da Reforma Pombalina. Coimbra; b)  Os alunos

de Vandelli serão acusados de maçons. Duas acusações merecem ser retidas: naturalistas, pois todos eles deviam frequentar o

curso de Filosofia Natural, e tolerantes. Ambas centrais na maçonaria.; c) Uma parte significativa dos estudantes da Universidade de Coimbra, a partir de 1777, era constituída por portugueses do Brasil. Os que vieram a notabilizar-se, quase todos foram alunos de Vandelli: Visconde de Barbacena (primeiro doutor saído da Universidade Reformada, foi substituto de Vandelli na cadeira de

História Natural e Química; governador de Minas Gerais, abafou a Inconfidência Mineira). José Bonifácio de Andrada e Silva 

(lente de Mineralogia e Metalurgia, cadeira criada expressamente para ser regida por ele, Intendente Geral das Minas e Metais do

Reino, ministro de D. Pedro, pilar da independência do Brasil). José Alvares Maciel (iniciador e ideólogo do Tiradentes). Vicente Coelho de Seabra Silva e Teles (nomeado em 1791 demonstrador de Química, depois lente substituto de Zoologia e Mineralogia,

e de Botânica e Agricultura). Manuel Joaquim Henriques de Paiva (primeiro demonstrador da nova cadeira de Química, médico,

parte para a Bahia). Constantino António Botelho de Lacerda Lobo (lente de Química, sucede na Física a Della Bella). Manuel

José Barjona (em 1791 nomeado lente substituto de Física e Química, depois catedrático de Zoologia e Mineralogia). Padre Tomé Rodrigues Sobral (sucessor de Vandelli em Química, depois Química e Metalurgia, dá aulas de 1789 a 1821, considerado o

Lavoisier português). Manuel Ferreira da Câmara Bettencourt (Intendente das Minas de Oiro do Brasil). Bernardino António

Gomes (no Laboratório da Casa da Moeda descobriu a cinchonina, lendo á Academia Real das Ciências de Lisboa, em 7 de Agosto

de 1810, o Ensaio sobre o cinchonino e sobre a sua influência na virtude da Quina e doutras cascas, permitindo a Pelletier & Caventou descobrir a quinina dez anos depois). Baltasar da Silva Lisboa, e provavelmente José da Silva Lisboa, Visconde de

Cayrú, jurista e maçon da Bahia). Padre Joaquim Veloso de Miranda (lente substituto de História Natural e Química, parte em 1779

para Minas Gerais). Francisco António Ribeiro de Paiva (lente de Zoologia e Mineralogia, director da Faculdade de Filosofia). E os viajantes-naturalistas João da Silva FeijóAlexandre Rodrigues FerreiraManuel Galvão da Silva e José António da Silva.

Igualmente cabe ressalvar os casos de rede familiar + maçonaria que em geral não são levados em conta pelos historiadores, por questões de metodologia e paradigma, como por exemplo o caso do "naturalista" Alexandre Vandelli, filho de Domingos Vandelli,

casado com uma filha de José Bonifácio de Andrada e Silva.  A rede de "naturalistas" que casam-se com famílias brasileiras é

digno de nota e nunca foi estudada a sério.  Some-se a isso o fato de os “naturalistas” estarem diretamente envolvidos com as

pesquisas e projetos de mineração da Coroa Portuguesa para termos um componente no mínimo intrigante e, apesar disso,

“desprezado” pela historiografia nacional.   

Estamos diante de uma teia de circularidade onde o prisma da “Independência merece focos mais abrangentes, sem proselitismos. 

De saída, percebe-se que o papel isolado que Otávio Tarquínio constrói para a figura de José Bonifácio é um tanto quanto

questionável.  Foi um personagem importante e erudito.  Mas, a questão é: o que está por trás dele? 

 

Loryel Rocha

 Apresenta todos os sábados 20 horas o programa “Culturas e Identidades”, na CULTURAonline BRASIL

 

 

Pensamentos e ações


Falar sobre o pensamento. Pode ser falar sobre o direito à liberdade de pensamento, que é um direito fundamental garantido constitucionalmente, no artº 5, inc. IV da Constituição Federal. Pode ser falar de um dos direitos básicos assinalado nos Direitos Fundamentais do ser humano, nos tratados internacionais e nas constituições da maioria dos países do mundo. Art.19 DUDH-

Declaração Universal dos Direitos Humanos diz:
“Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões

e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.”
Como pode ser falar daquilo que nos vai à mente. Daquilo que sonhamos e desejamos, do que não queremos, ou queremos muito,

do que não dizemos e que é só nosso.


A liberdade de pensamento é um direito fundamental essencial para nosso desenvolvimento pleno como ser humano.

Não pode ser ameaçado “, reprimido. É de suma importância para que as divergências apareçam, os contrários surjam e novas

ideias possam brotar de toda essa pluralidade. É claro que se tenho liberdade para pensar, vou querer emitir minha opinião,

minhas impressões sobre o que vai no meu íntimo. Cada um é livre para refletir sobre o assunto que lhe convém. Somos livres para pensar.”
(excerto do meu artigo: A liberdade de pensamento).


Assunto vasto, falado de todas as maneiras, cantado, tema de poesia, verso e prosa, de livros e músicas e rimas. Chega-nos através

da nossa mente em abstrações, ou algo produzido e planejado por nós, racionalizado e às vezes verbalizado. Precisamente aí é que começam os nossos problemas. A partir do momento em que deixamos as palavras o traduzirem. Um pensamento sobre um amor

que só eu sei que sinto, é algo só meu. Quando falo desse amor, posso ser correspondida ou posso sofrer uma decepção por que a recíproca pode não existir. Quando emito uma opinião foi por antes ter pensado sobre o assunto, e a partir daí, estou sujeita a ouvir

uma contestação, ou uma crítica, que poderá ser boa ou ruim. Poderei ser confrontada pelo que expressei. Sofrerei consequências, e dependendo do que foi dito, até punições.
Aí é que entra o meu direito (de expressar o que penso) e a minha responsabilidade pelo que digo. Pensar para nós é vital. Existimos então pensamos. Não importa o que. Pensamentos bons, maus, tristes, divertidos, horríveis, felizes, não importa, faz parte de nós.

Pensar sobre o futuro, passado, presente, o real e o irreal. É algo que trazemos a mente. Podemos controlá-lo, ou podemos deixar

fluir, viajar nos devaneios da mente, sem direcioná-lo para algum lugar. Provavelmente quando estamos assim descuidados é que

temos as melhores ideias, os melhores insights, num estado de relaxamento da mente. Você já pensou como seria uma vida sem pensamentos? É inimaginável. Definir o que é pensamento é algo complicado, as várias ciências tentaram, mas não se tem um

conceito claro, nem no dicionário esse conceito é bom. É algo muito complexo. Existe um limite para nossos pensamentos?

Com certeza não, a não ser o que eu mesmo me imponho.


Através dos nossos pensamentos conseguimos lidar com o mundo e tudo que isso implica. Somos seres que pensam o tempo todo,

de forma consciente ou inconsciente. Vamos ter cuidado com o que pensamos, pois nossos pensamentos podem se tronar realidade. Quando os pensamentos se tornam pessimistas, podem influenciar de forma negativa a nossa existência, virando preocupações às

vezes descabidas. Pensar negativamente sobre algo, sobre uma situação nos traz prejuízos a saúde mental e física, Podendo nos

levar a estados depressivos. Não podemos não pensar, mas podemos ter mais cuidado com o que pensamos. Vamos pensar positivo. Vamos pensar coisas boas, querer bem, pensar em passar amor, em passar boas energias. Pensar grande, pensar amorosamente.

Com certeza esse energia boa vai contagiar as pessoas ao redor, e uma corrente de bons pensamentos irá fluir. Isso torna nossa vida melhor. E quando colocarmos em prática o que pensamos, vamos ter o cuidado para que nossas ações não desrespeitem o outro. Vamos agir respeitando os direitos do próximo. A linha que separa até onde vai o meu direito e onde começa o do outro é tênue. Até onde posso ir sem desrespeitar e sem invadir a o espaço de alguém? Acredito que meu direito vai até onde o meu agir não prejudique ninguém.


Que nossos pensamentos nos levem longe, que sejam bons, produtivos, nos façam sonhar, nos impulsionem, que a gente consiga

dosar emoção e razão. Que a gente pare para pensar aonde queremos ir. Para onde o mundo está indo. Para onde a humanidade

está se encaminhando. Vamos pensar qual a nossa participação nesse caminhar. Estou fazendo a minha parte? Estou pensando em como posso melhorar esse planeta? Estou pensando e agindo coletivamente, preocupado (a) com o outro e o mundo que nos cerca?
Pensar. Pensar e agir.


Quem sabe aproveitarmos o dia do pensamento ( 22 de fevereiro ) para pensar e repensar nossa existência, nossos caminhos, nossos quereres, nossos sonhos, e incluir nesses pensamentos amor, muito amor, pois só ele é capaz de transformar o mundo.

Mariene Hildebrando
e-mail: marihfreitas@hotmail.com

 

 

 

PASSAPORTE PARA ONDE?

 

Por que pararam de fabricar o amor?

Dizem que os “oficineiros” fraudaram contra Deus quando a humanidade percebeu o custo benefício que lhes renderiam tudo havia por aqui...

E a serpente corrompeu a “Primeira-Dama”, que induziu o homem à sua primeira fraqueza e lhe tirou a ilusão da posse sobre ela e, assim, um ludibriando o outro, continuaram desassossegados e, assim, se iniciou a mentira do amor.

Judas se vendeu por 30 moedas que o levou a forca. Jesus, por tão pouco, foi parar na Cruz e Maria Madalena foi apedrejada. (Ah! Se eles soubessem que, nos tempos de hoje, nada disso teria acontecido).

Tivemos rainhas, princesas e belas senhoras, reis, homens fortes. Patéticos seres dotados de sentimentos soberbos que condenaram seus próprios semelhantes à morte, desde os primórdios tempos.

Os homens reclamam e choram sem memória. Promoveram guerras, desafetos, atrocidades e assim se aprimoraram na discórdia.

Quantas guerras ainda faltam? Quanto falta para alcançarmos o “Reino”? (“Reino” maldito da ignorância e desonra, onde não haverá glória e fama).

A sórdida geração humana terá como herança a mísera sorte de um estado sombrio de sofrimentos e nunca saberá quando dela a morte o livrará.

Mulheres e homens extenuados verão a prole se extinguir. Sem fertilidade não mais lançarão filhos ao léu em seus destinos mal-afortunados.

O que diria então de nossa terra varonil, Brasil, onde todos sempre se encantaram pelo privilégio de terras abençoadas, onde seus governantes foram escolhidos “a dedo” e onde a cadeia já foi cárcere de bandidos?

Vimo-nos também desenganados e pelas nossas próprias “cordas e forças” enforcados. Aqui não há fadas como o povo brasileiro sonhava e sim falcatruas, cordeiros em pele de lobos, cavalheiros e damas mundanos e, crianças morrendo de fome, doentes, sem teto e carentes de pais e de governo.

Então... Perante o mundo estamos e sempre fomos iguais.

Que abram as portas das celas para “amparar e proteger” nossos políticos e bandidos, enquanto fechamos as portas de nossos próprios abrigos para nos proteger desses inimigos.

Que joguem pedra na Cruz, que Deus continue sendo o culpado, ou, para os mais devotos, que culpem o pobre do Diabo!

“Que a humanidade, consiga seu “visto de entrada”.

Para onde?

 

Genha Auga

jornalista MTB:15.320

 

 

REFORMA DO ENSINO MÉDIO:

A FALTA DE DIÁLOGO

Novamente pretendo discutir outro ponto sobre a reforma do Ensino Médio. Ao longo desses meses, aproveitei meu espaço na Gazeta Valeparaibana para discutir sobre a questão da falta de estrutura das escolas no Brasil e, mais recentemente, sobre a questão do notório saber. Agora, pretendo discutir um pouco sobre a falta de diálogo que o MEC tem com os professores e com a sociedade.

Para começo de conversa

Não é de hoje que os governos não dialogam com a população. A lógica da administração pública se coloca como alguém acima de qualquer contestação. Essa forma de governar vem de longa data. É quase que uma forma monárquica de gerir a república. Boa parte da população em si também é conivente com isso. Seja pela cultura da não participação nas decisões públicas, seja pelo medo ou receio de se impor.

Porém, com o passar dos tempos, chegamos ao século XXI. Um século marcado pela difusão da comunicação eletrônica e pelo encurtamento do espaço de comunicação. Essa ferramenta  virou uma arma na mão de diversas pessoas que passaram a acompanhar e cobrar seus representantes políticos.

Vivemos hoje, sobretudo no Brasil, uma reconstrução do que entendemos como democracia. Basicamente, entendemos que cobrar a transparência das ações públicas e se voltar contra os detentores do poder político estão incluídos neste pacote. O grande problema é fazer com que nossos políticos entendam que eles trabalham para a sociedade, e não o inverso.

Assim, a questão do diálogo é fundamental para qualquer tipo de relação em sociedade. O poder público precisa aprender a conversar e a negociar com a população. Conversar e negociar são vias de mãos duplas. Há um caminho de ida e de volta. Há a argumentação, a contestação, a defesa, o confronto, a síntese e a conclusão. É importante destacar que a conclusão deve ser uma equação entre os dois envolvidos, e não uma imposição de um dos lados. Entendo que assim possamos construir um modelo democrático de diálogo, e não de imposição de ideias.

O MEC e a falta de diálogo

Na audiência pública sobre a PEC 241 (55 no Senado), realizada na Comissão de Direitos Humanos do Senado, com a participação de diversas entidades ligadas à educação, para discutir sobre os impactos da PEC sobre o Plano Nacional de Educação, ninguém do Ministério da Educação Compareceu (https://goo.gl/aqaXuh).

Não é de hoje que o MEC não abre diálogo com a sociedade. Nem mesmo a assessoria de imprensa se dá ao trabalho de responder as solicitações enviadas. Em vários programas E Agora José? encaminhei pautas de solicitações diversas e não foram respondidas. Minha última solicitação foi sobre o fim do Programa Mais Educação.

Fazendo uso da própria página oficial do Ministério da Educação, o Ministro “rebateu mentiras”. Uma das “mentiras” rebatidas foi exatamente sobre o fim do Programa Mais Educação. Ora, se houvesse o diálogo aberto, não haveria espaço para “mentiras” (https://goo.gl/UMdD7d).

No ato de lançamento da Medida Provisória do Ensino Médio, diante do discurso do Ministro e dos outros representantes da “equipe”, várias vezes foi frisado que o diálogo está aberto com as “entidades” do setor. Mas bem, quais são essas entidades? A priori, quem participa deste “diálogo” é o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o Conselho Nacional de Educação (CNE) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação (Umdime).

Ainda que as entidades acima possam ser representativas na área da educação, elas representam apenas a parcela administrativa da educação. As entidades representativas dos professores (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE) e dos alunos (União Nacional dos Estudantes – UNE), dentre muitas outras, não foram convidadas ao debate.

O MEC e até mesmo a página pessoal do Ministro Mendonça Filho tem sido utilizadas não para um espaço de discussão, mas sim para um espaço de exposição.

Por fim... conversar com quem?

Nas últimas semanas, tivemos algumas audiências no Congresso com a participação das entidades acima elencadas (inclusive agora com a participação da CNTE e da UNE). Porém, o que se observa é que há uma grande “tropa de choque” que rebate de pronto os argumentos e as posições dessas entidades. Ou seja, não há o debate, não há a análise sobre as críticas. Apenas se impõe o que já está pronto.

Muitos me perguntam sobre a morosidade da reforma do ensino médio. Este projeto foi publicado em 2013 (como já abordei no primeiro artigo) e as discussões estavam frias. Então, hora, se existia desde 2013, por que não houve a discussão para posterior aprovação? Resposta: Porque o projeto já no seu lançamento era ruim mesmo. E, também, porque desde aquela época não houve o debate com a sociedade.

No meio de toda essa turbulência, especulações, falta de transparência e diálogo, muitas ações pipocaram no país e desagradou muita gente. Escolas, faculdades, universidades e até casas legislativas municipais foram ocupadas. Independente da conotação partidária que queiram dizer que motiva tais movimentos de ocupação, na base, quem está lá, são jovens realmente preocupados com o que está acontecendo. A falta de transparência, diálogo e os constantes ataques aos movimentos só funcionam como gasolina para apagar incêndio. Enquanto não houver realmente uma consulta pública, um canal aberto de diálogo e várias discussões regionais, o movimento vai continuar. Tive a oportunidade de conversar com esses jovens e fazer uma rápida leitura do quanto estão apreensivos com toda turbulência que está acontecendo. Você pode acompanhar um pouco dessa discussão neste link: https://goo.gl/3yG4uU

Como eu disse acima, entra governo, sai governo e a estratégia é a mesma. Colocam suas posições de forma verticalizada. Mas como também afirmei acima, a sociedade muda. Hoje já não aceitamos a verticalidade das ações. Os governos precisam aprender a dialogar.

 

Ivan Claudio Guedes

 

Geógrafo e Pedagogo.

ivanclaudioguedes@gmail.com

www.icguedes.pro.br

 

# A Educação na era Digital.

 

Como lidar com a educação digital nas escolas e estabelecimentos de ensino, com os processos e práticas inovadores, com toda essa conectividade e tecnologia que apresentam mudanças rápidas a todo momento? Até que ponto essa tecnologia ajuda no aprendizado? Podemos achar que o uso da internet por exemplo, só traz benefícios?


Por meio da internet, temos acesso a uma maior variedade de oportunidades de aprendizagem, independente de geografia ou circunstância socioeconômica. Professores e alunos tem informação e tecnologia disponível, saber usar isso tudo é importante na construção de novos conhecimentos, a internet funciona como um espaço social, ela é transformadora, junto com outras ferramentas digitais possibilita o conhecimento, o aprendizado.


Todas as produções culturais e científicas que surgem a todo o momento estão ao nosso alcance.


A Educação Digital ajuda a aproximar o professor dos alunos e torna a aula mais interessante.


Não há dúvida de que a tecnologia digital veio transformar a maneira como se ensina.


O professor precisa ter capacitação, educação, saber utilizar todas as ferramentas e saber conectar tudo isso. Entender o processo ajuda a motivar o aluno, e a aumentar o interesse dele pela aula. O professor precisa se preparar para utilizar essa tecnologia. As escolas tem que providenciar esse preparo. Temos que falar a mesma linguagem dos alunos.


A tecnologia quando bem utilizada no ensino aprendizagem, e mesclada com a aula mais tradicional produz uma educação mais efetiva. Essa mescla tem que ser bem dosada.


O aluno é sujeito ativo e tem grande participação na sua própria aprendizagem, mas ela não vai acontecer como um milagre apenas com o uso das TICs. O professor tem que inspirar o pensamento crítico, agir aliando as tecnologias aos métodos utilizados em aula para melhorar o ensino aprendizagem.


Tanto professor quanto aluno através da internet tem acesso a milhares de informação, que geram saberes, aprendizagens, todo tipo de conhecimentos. O professor pode agir como mediador, sugerindo, estimulando, solucionando questões. Com o uso da tecnologia novas linguagens são incorporadas ao cotidiano dos nossos jovens, como o uso do polegar para escrever mensagens no telefone móvel, o uso de ícones, símbolos e imagens que possibilitam uma nova maneira de interagir e se comunicar. Uma nova linguagem visual, sites de relacionamento, chats, salas de bate-papo, tudo feito com uma rapidez espantosa.


A juventude do século 21 é uma juventude que produz mais e melhor, devido a acessibilidade as novas tecnologias.


O aluno tem se empoderado da aprendizagem dentro de redes conectadas. Ele se conecta as informações quando e como acha necessário. As tecnologias trazem uma nova forma de nos comunicarmos, diferentes linguagens , maior desenvolvimento da leitura e da escrita, novas maneiras de pensar. Por isso a importância do professor saber como utilizar a tecnologia de forma correta, se apropriar desse conhecimento, estar atualizados com as TICs, para poder criar novas possibilidades de ensinar, agir também como orientador, motivador, estimulador, incentivador do aluno, através de atividades que exigem planejamento. O professor se torna parceiro do aluno, trabalham juntos, descobrem juntos, constroem juntos o conhecimento e a aprendizagem.


Os desafios não são pequenos, é necessário que os educadores tenham uma nova postura que envolva toda a escola, alunos, gestão escolar, adaptação da parte física da escola se for necessário. Transformar a produção do conhecimento através da tecnologia, dessa nova sociedade da informação, nos relacionarmos com esse novo horizonte de forma a nos apropriarmos dessa nova maneira de ensinar e de aprender também. A ideia geral é de cooperação, novas posturas e repensar a construção de uma nova escola.


Mariene Hildebrando
Professora e especialista em Direitos Humanos
Email: marihfreitas@hotmail.com

# SEM LENÇO NEM DOCUMENTO

O Sol desponta cedo, seu calor e brilho chega ao auge e quando parece que sua força não tem fim, cai a noite. Comparado a isso, está nossa trajetória política que quando parece ganhar força vem a queda e cada vez mais viramos escoras petrificadas num passado sujo num futuro onde o relógio parece girar seus ponteiros para trás.

 

A intenção de todos é sempre boa, mas o sentido na prática difere. Enquanto o objetivo do homem na sociedade é de constituir família, ganhar dinheiro para suprir a prole e alcançar posição social para garantir cultura e educação, na realidade conta com pouco e hoje quase nenhum retorno do seu próprio país ao qual se doou com suor e dedicação carregando uma falsa ilusão de

que haveria um futuro melhor.

 

Esses pais que colocaram nos filhos o maior sentido de suas vidas veem-se num abismo acompanhado da realidade de que não há receitas antigas e nem exemplos para mostrar. Repudiados pelas novas gerações, ironicamente, sentem-se atingidos pela mesma enganação sentindo na pele quase que a mesma imposição de uma ditadura que apenas ouviram falar.Mesmo assim, a

sociedade procura afastar os obstáculos incentivando os jovens não abandonarem a luta para não terem que assistir, ainda mais, essa “descida”. Convencidos disso, brasileiros agarraram-se à ideia de encontrar a cada sucessor de um governo a esperança.

 

A enganação tem feito carreira em nosso país e num jogo dissimulado, a cada dia, revelam-se delatores que apontam recebimento de propinas em todos os meios que cerceiam nossa segurança e nossos direitos, cada vez mais tolhidos por políticos, responsáveis pela justiça, imprensa que ao longo da história vem nos presenteando com doses fortes de imposições, fazendo os cidadãos rodopiarem impregnados por essa falta de ordem moral que abala a sociedade com poderosos que nos fazem ajoelhar a essa falta de caráter para atender às conveniências deles.

 

A falta de confiança impera juntamente com a indignação. Mesmo os que ainda se salvam com sólida formação moral, acabam por verbalizar sentimentos de repúdio à classe dirigente cristalizando boa parcela da população aflita que, cada vez mais, “aperta o cinto”. Nesse contexto onde prevalece o bem material acima do valor moral desenhado pela miséria que afeta aceleradamente

a maioria que acreditou em quem votou e que se revelam numa terrível corrosão de caráter que se propaga como uma metástase em função das mazelas que se desvelam a cada dia.

 

Isso nos torna descrentes das instituições e agentes públicos, pois num país onde leis não são obedecidas, justiça que quase sempre age em favor da impunidade, violência extrema, improbidade na cobrança dos impostos.

 

Pelo que nos devem moralmente, por um futuro que nos foi roubado e pela falta de zelo a tudo que nos pertence, o ânimo nacional amorteceu e estamos cada vez mais inertes e doentes moralmente.

 

Quando se poderia imaginar que na pátria idolatrada o eleitor seria representado por engodos e mistificados pela propaganda mentirosa de tantos políticos que manifestaram o mau-caratismo com tantas falcatruas como às do sigilo de provas, desvio de verbas da merenda escolar, o desvirtuamento do esporte, obras superfaturadas, líderes de sindicatos financiados por partidos políticos, “mensalão”, implicados na “lava jato” “petrolão”, sucateamento da saúde, educação, cultura.

 

Por aí vai e muito ainda deve estar por vir.

 

Uma nação que sempre foi unida por festas, futebol, samba e carnaval, dividiu-se politicamente

iludida em prol de grandes mentirosos. Conta-se nos dedos os poucos idôneos e éticos.

É...

Assim a vida do brasileiro virou um tormento, sem lenço nem documento.

GenhaAuga – Jornalista MTB: 15.320

# A Cigarra e a Formiga

Eu prometi a vocês que seguiria com os artigos sobre a Natureza e a Música, porém neste último mês alguns acontecimentos envolvendo a Cultura de nosso país me lembraram aquela famosa fábula de La Fontaine que todos nós conhecemos: a Cigarra e

a Formiga.


Resolvi então interromper a série para refletir sobre o conto que a maioria de nós certamente ouviu na infância. A Cigarra, que durante o verão passou cantando e quando da chegada do inverno se vê com fome e frio, pede ajuda à Formiga que passou o verão trabalhando e que estocou comida e cuidou de sua moradia.


O conto procura passar a ideia do valor do trabalho acima da diversão, e do preço que se paga quando se coloca a diversão acima do trabalho.


Lembrei-me da história devido à questão que se levantou nesses últimos meses com a discussão sobre a lei Rouanet, de incentivo fiscal para a Cultura, culminando com a extinção e ressurreição de seu Ministério. A questão era justamente sobre o valor de quem trabalha oferecendo diversão às pessoas: os artistas.


Afinal trabalhar com arte é realmente trabalho?


Arte e cultura merecem mesmo um Ministério?


Qualquer profissional de arte alguma vez na vida ouviu a seguinte pergunta: “Você é artista?


Que legal! Mas você trabalha com o quê?”. Quando respondemos que trabalhamos com música, ou dança, ou pintura ou
qualquer outro tipo de manifestação artística recebemos um sorriso meio sem-graça, geralmente disfarçando um sentimento de pena - “coitado, deve passar fome, mas pudera, não trabalha…, no fundo, um vagabundo…”.


Por incrível que pareça essa impressão de que trabalhar com arte não é trabalhar é muito mais comum do que pareça, e, se você leitor compartilhar dessa opinião, não se envergonhe, é compreensível e vou tentar aqui mostrar alguns aspectos dessa classe de profissões que talvez possam fazê-lo mudar de opinião.


Peço que cada um de vocês pare em alguns momentos de suas vidas e olhem ao redor:


"Existe arte à minha volta?" Tenho certeza que quando vocês o fizerem à primeira vista pode parecer que não há ou que há muito
pouca arte em redor.


Vamos exercitar um pouco. Falemos primeiro de pintura, desenho, ilustração. Olhem à sua volta e procurem um quadro.

 

Acharam? Ótimo, aí está uma obra que foi imaginada, e executada por algum artista. Seja este quadro bonito ou feio ele é uma produção que demandou horas, talvez dias e muito conhecimento técnico do pintor ou desenhista.

 

Não há um quadro perto? Talvez uma revista, um cartão ou mesmo uma nota de 20 reais.

 

Em todas elas há um desenho, uma escolha de cores, um recorte. Nos seus celulares há ícones de seus aplicativos, há efeitos visuais, emoticons “fofos”. Tudo isso foi imaginado, criado e executado por artistas. A moldura daquele quadro, foi desenhada e executada por alguém. A estampa de suas camisetas, o formato de seus óculos, o desenho da letra que vocês estão lendo agora, o formato de seus sapatos, o enfeite do cabo de uma colher, a capa de um CD que vocês gostem, ou qualquer embalagem de qualquer coisa que vocês tenham adquirido há pelo menos um desenho, algo que foi criado por um artista.


Falando de música, de sons.

Música, onde ouvimos música? Hoje em dia podemos ouvir música em qualquer lugar. Qualquer que seja o gênero de música que você ouça ela existe pelo esforço, dedicação e talento de vários artistas. O poeta que escreve a letra, o compositor que escreve a canção, o arranjador que escolhe quais instrumentos e quando eles devem tocar, os músicos que a interpretam.


Todos artistas… Ah! Vocês não estão ouvindo música? Olhem seus celulares! Cada toque diferente que vc escolhe para identificar
seus amigos foi composto e executado por alguém, em cada joguinho com o qual vocês se divertem na sua pequena tela há uma música, cada novela, filme ou série que você assiste possui uma trilha sonora, cada jogo de futebol que você ouve usa uma música de abertura, ou uma micro-música que toca quando o locutor nos conta o tempo e o placar do jogo.

Cada uma dessas pequenas obras são criadas por artistas.


No fundo em quase tudo que tocamos, ouvimos, lemos há um trabalho de um artista. O artista não é só a celebridade, há uma infinidade deles em lugares que vocês nem imaginavam.


Para se tornar qualquer um desses artistas, que proporcionam a vocês diversão em todos os sentidos, cada uma dessas pessoas usou grande parte do tempo de suas vidas se dedicando a aprender o ofício da arte. Abriu mão de parte da seu convívio com a família, com amigos para se dedicar horas diariamente para saber manejar um pincel, tocar um instrumento, dançar, cantar, escrever, desenhar, entalhar na madeira, esculpir em mármore.


Para proporcionar a vocês conforto visual, provocar as mais diversas emoções, para deixar sua casa confortável, decorar sua vida.
Olhe em volta! Aguce os ouvidos!


Aposto que você está um pouco surpreso pela quantidade de pequenas e grandes obras de artistas que estão à sua volta.
Será que agora quando eu lhes faço a seguinte pergunta: Arte é trabalho?

Precisamos de
profissionais de arte? Fica a reflexão para vocês!


Na fábula a Formiga repreende a Cigarra e a deixa sofrer as consequências de seu “erro” que foi cantar durante o verão.


Uma vez eu li uma versão com o final diferente.


A Formiga recebia a Cigarra e quando esta última agradeceu a hospitalidade da Formiga esta retrucou com um sorriso: “Eu que agradeço por seu canto, pois com ele meu trabalho ficou mais leve e quase nem percebi o tempo passar. Obrigado pelo seu trabalho”.


Abraços musicais!


Mto. Luís Gustavo Petri é regente, compositor, arranjador e pianista. Fundador da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos.

Diretor musical da Cia. de Ópera Curta criada e dirigida por Cleber Papa e Rosana Caramaschi.
É frequente convidado a reger as mais importantes orquestras brasileiras, e em sua carreira além de concertos importantes, participações em shows, peças de teatro e musicais.

 

 

# COMO TRABALHAR COM O LIVRO DIDÁTICO?

No mês passado, nessa mesma coluna do jornal Gazeta Valeparaibana, apresentei uma discussão sobre a não utilização do livro didático.


Devo dizer que essa discussão rendeu muitos frutos, muitas opiniões e muitas críticas. O foco principal daquele artigo era o de problematizar o desperdício de dinheiro público com a não utilização dos livros didáticos.


Muitos colegas afirmaram que realmente não fazem uso do livro didático, adquirido via PNLD, por diferentes razões. Muitos colegas também deixaram bem claro que utilizam e apresentaram, inclusive, seus métodos e potencialidades em sala de aula.

O que mais me chamou a atenção neste debate é que aqueles que se dizem de “esquerda” afirmam que o livro didático é um instrumento de dominação capitalista, que tem como único objetivo formar mão de obra para o mercado. Já os de “direita” afirmam que os livros didáticos são instrumentos de “doutrinação marxista”, e que precisam ser “combatidos”.

 

Desculpas a parte, volto a afirmar que falta uma análise profunda sobre os livros didáticos, com o objetivo de derrubar mitos e extrair desses materiais o que eles possuem de melhor. Já discuti sobre isso no mês passado,
mas volto a afirmar, atualmente o mercado de livro didático oferece opções para todos os “gostos e sabores” e cabe ao professor, juntamente com sua equipe escolar, escolher corretamente.


Basicamente o livro didático deve servir de material de apoio ao professor.


É a partir dos pressupostos do Projeto Pedagógico da escola e do currículo escolar que o professor vai fazer uso desse instrumento.


É importante destacar que o livro didático por si só não apresenta todos os recursos desejáveis à aula. Sendo assim, cabe ao professor planejar sua aula (dentro do tempo disponível) selecionando aquilo que ele vai extrair dos livros (gráficos, mapas, tabelas, figuras, infográficos e/ou textos curtos de leitura compartilhada) e acrescentar o que pretende desenvolver com os alunos (debate, discussão em grupos, atividades práticas, exibição de vídeos, etc.).


É importante destacar que o professor deve ter total autonomia sobre sua aula. Deve ter a liberdade de escolher os melhores métodos que lhe cabem e oferecer o melhor da sua aula. Porém, não se deve negligenciar o uso do livro didático, uma vez que se trata (muitas vezes) da única literatura que o aluno possui para realizar procedimentos de leitura.


Sempre que tenho a oportunidade procuro ler o manual do professor.


Essa parte é essencial ao professor para que conheça melhor os pressupostos teóricos que embasam o livro. Nessa parte do livro (pouco consultada) podemos entender a linha de pensamento do autor tanto no que se refere à sua concepção pedagógica, quanto da disciplina em si que está tratando. Muitos livros trazem também (no decorrer da obra) indicações didáticas e dicas para chamar a atenção dos alunos para o que é discutido (isso já me ajudou e ajuda muito até os dias de hoje).


Voltando à primeira discussão apresentada no mês passado, posso destacar os seguintes problemas elencados pelos colegas:
Principais problemas destacados com o uso do livro didático: O MEC não distribui a quantidade necessária para todos os alunos:
Neste caso, o mais indicado é entrar em contato com o próprio MEC, através do número 0800-616161 e informar o que está acontecendo.


De acordo com as orientações do Ministério, as escolas recebem reserva técnica e as secretarias de educação também. Caso não esteja recebendo é importante entrar em contato, pois algo de errado está acontecendo. Vale lembrar que o livro não é “do aluno”. Sua entrega deve ser realizada no início do ano e a devolução no final do ano. Ao final do terceiro ano de uso ele poderá ficar com o aluno.Se a escola faz a distribuição e não recolhe no final do ano, realmente não haverá para todos.


Os alunos não trazem o livro para a escola e reclamam que é pesado: Entendo que é possível se organizar de duas formas:

1. A escola pode montar a grade horária permitindo aulas duplas para que o aluno traga, no máximo, 2 ou 3 livros por dia;

2. A escola pode manter uma certa quantidade de livros volantes para que sejam utilizados no dia a dia e manter os livros dos alunos em casa para consultas e lições de casa.


Fica aqui um desabafo: em todos os colégios particulares em que trabalhei os alunos levavam e traziam seus livros diariamente, quase nunca ouvia reclamações por causa do peso, muito pelo contrário, eles reclamaram quando passava uma ou duas aulas sem utilizar o livro didático (o que entendo que cabe o planejamento para saber quando
ou não trazê-los). A pergunta é: será que a valorização perante o livro se dá por causa do valor pago pelos pais? (cada livro didático custa em torno de R$ 120,00).


Não há tempo para planejar a aula:

De acordo com a Lei 11.738/2008 (Art. 2º § 4º) “Na composição da jornada de trabalho, observar-se-á o limite máximo de 2/3 (dois terços) da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos”. Vale lembrar que muitos dos nossos políticos são contra essa lei, creio que cabe uma intensa fiscalização e acompanhamento dos professores para que prefeitos e go- vernadores cumpram com a lei, bem como acompanhar as movimentações no congresso para evitar lobby que podem derruba-la.


Os alunos rasgam os livros e jogam fora: Muitas vezes quando não entendemos o significado de algo, não damos valor para ele.

Assim funciona com muitas coisas (sobretudo públicas). No início do ano letivo é extremamente importante ensinar como se deve utilizar o livro didático, deixar claro que ele não é de graça e que será um suporte às aulas. É sempre preciso retomar essa discussão. O processo de conscientização não é simples e não será em uma ou duas conversas que aqueles que não respeitam o patrimônio público vão demonstrar valor pelo livro didático.


Muitas redes trabalham com apostilas para os alunos e não permitem o uso do livro didático: Realmente, algumas redes trabalham com o caderno do aluno. Entendo que esses cadernos (como o das redes públicas estaduais de São Paulo e do Paraná) apresentem exercícios explorando algumas competências dentro do que estabelecem sobre seu “currículo mínimo”, porém, longe de defender a ideia de “currículo mínimo”, devemos pensar que não podemos nivelar nossos alunos e nossas aulas pelo “mínimo”.

 

É direito de o aluno ter o “máximo”, ou seja, precisamos aprofundar as discussões de forma com que consigamos desenvolver as competências cognitivas nos nossos alunos, e não somente realizar as atividades dos “caderninhos” (já que as respostas estão todas na internet).


Entendo que a partir das orientações e sugestões dos livros didáticos podemos potencializar as aulas trazendo maior significado ao aluno. Claro que alguns pontos merecem ser destacados como, por exemplo, a prática da cópia! A cópia do livro didático não tem sentido algum e essa sim é uma prática que não ajuda em muita coisa.


Já as sugestões de livros, filmes, sites e reportagens de jornal que o livro apresenta ajuda o professor a trabalhar com diferentes linguagens e trazer diferentes perspectivas à sua aula. Caso discorde de algum ponto tratado no livro (o que é comum) pode ser utilizado, inclusive, como ponto de apoio para desenvolver um debate sobre o tema.


Por fim, mas sem querer esgotar o debate, é preciso lutar para que tenhamos horas de planejamento individual e coletivo.

É preciso que tenhamos tempo para escolher bons livros que possam nos ajudar e é preciso (principalmente) estudar e conhecer diversas outras formas de trabalharmos em sala de aula.


E você? O que acha dessa discussão?

Como é sua experiência na escola?

O que você acha do livro didático?

Como podemos juntos, melhorar a nossa prática sobre ele?


Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo.
ivanclaudioguedes@gmail.com